Juventude de Valor(es)

Se uma geração é entendida como um conjunto de pessoas da “mesma idade” que nasceram num mesmo período histórico, entendemos que ao ocupar o mesmo “tempo/espaço”, compartilhem alegrias e angústias, criem e recriem modelos de vida. Cada nova geração tende a chocar com os modelos herdados das gerações anteriores e existem, de facto, alguns em que se exige uma mudança – em particular, no que diz respeito, à política.

“A política do mundo todo sofre de mal-estar. Os intermitentes escândalos de corrupção potencializam a rejeição à política. A renovação na política é uma bandeira globalizada, que deverá ser hasteada aqui também.”

É claro que nenhuma transformação pode ser realizada da noite para o dia. A mudança política pressupõe tempo e reflexão. Portanto, para que o processo político comece a receber oxigénio, é necessário que plantemos as sementes. E as sementes estão em nós,  jovens.

Acredito que este quadro negativo só poderá mudar através da própria política – que a solução para a política é mais política, e não o contrário. Os partidos são uma forma de intervenção na sociedade, e acredito que todos, não só o meu, querem melhorá-la. Mas mais do que fazer política, à minha geração, exige-se mais, exige-se que se faça política, de forma diferente.

O fazer política de forma diferente começa desde cedo. Começa por demonstrar, pelo exemplo, que as “escolas dos jotas” não são “escolas de crime” (ideia reforçada pela Operação Tutti-Frutti). É importante que tenhamos a consciência que a nossa atitude nos pequenos assuntos das ‘jotas’ diz muito sobre a postura que teremos, um dia mais tarde, ao assumirmos responsabilidades públicas maiores.

Conhecemos hoje, mais do que nunca, as consequências (e os custos) da política, sem ética. Sentimos todos o peso da degradação da imagem dos políticos e pagamos todos por isso, mesmo que o nosso comportamento e a nossa forma de estar em política sejam exemplares.

Um recente trabalho intitulado “Bad Politicians”, referia (e bem) que a qualidade dos políticos depende da força relativa dos dois efeitos, a auto-selecção dos menos bons e a capacidade dos eleitores para seleccionarem os melhores. Em algumas circunstâncias os melhores podem desertar da carreira política e os eleitores têm que escolher entre o mau e o menos mau. Quando o sistema político atrai para políticos os cidadãos de menores qualidades, desencoraja os melhores de o fazer. Uma boa administração pública é a melhor forma de lidar com os maus políticos, tornando-os irrelevantes. Para a sobrevivência das democracias pode até não ser necessário atrair sempre os melhores, mas temos de evitar que os piores façam estragos. 

Para além desta crise social, existe uma preocupante crise de valores, que urge reconstruir. Nós, jovens, temos de construir a alternativa. 

O futuro passa por uma juventude de valor(es)!

Nicolle Lourenço – Presidente