JOGOS TRADICIONAIS COM ACERTO DE CONTAS NACIONAIS

[dropcap size=”500%”]V[/dropcap]ou-vos confessar um segredo… já tinha saudades do verão de São Martinho e de trocar a mantinha pelo calor dos temas quentes como este do interesse em limitar o ordenado de gestores públicos ao ordenado do Primeiro Ministro (PM).


Caríssimos, não brinquemos às profissões. Ninguém é mais do que ninguém. Nenhuma profissão é melhor do que outra… são somente diferentes e todas são importantes. Senão vejamos, o que seria do PM se não tivesse aquela senhora da limpeza para retirar a casca da banana que ficou esquecida nas escadas ou quem lhe lavasse e passasse as camisas, por exemplo? Sempre ouvi dizer que tempo é dinheiro…

Mas quando estamos no mercado de trabalho e assinamos um contrato, lá estão definidas as regalias a que o trabalhador tem direito como o ordenado.

Qualquer trabalhador deve ser recompensado pelo seu trabalho. No caso de trabalharmos por conta doutrem, somos avaliados permanentemente e pagos perante tal, mas e quando assim não é?

Quando o nosso patrão é o Estado e quem “manda” no Estado sou eu? Quem avalia o meu trabalho e o trabalho dos meus colegas? Quem determina o nosso ordenado? Baseado em quê, afinal?

O PM é um político igual a qualquer outro. A diferença é que tem mais poder e quando assumiu essa responsabilidade assumiu tudo o que daí advém. Quanto ao ordenado… Sim, deve receber mais porque tem e deverá assumir as consequências dos seus actos e de quem o acompanha – um bom chefe deverá responsabilizar-se pelos seus colaboradores porque a decisão final é sempre de quem “manda”.

Mas a confusão (re)instalou-se. Deverá ser o ordenado do PM superior a qualquer outro funcionário público? Aparentemente sim.

Mas quando penso nos casos dos políticos que além do ordenado que receberam pelo trabalho (fosse ele muito ou pouco, bom ou mau) durante algum tempo, recebem (porque sim) subvenções vitalícias…

E depois há aquela proposta (quase insana) do BE em querer limitar o ordenado dos gestores públicos ao ordenado do PM. Porquê?

(Portugal já pediu ajuda financeira externa três vezes e hoje quem a pediu tem direito a esta tal “ajudinha”).

Um gestor público (que pode e deve ser avaliado) tem o dever de gerir bem a empresa pública que tem a cargo, de a fazer crescer, sem levar à ruína o país e os portugueses. Então, se os objectivos forem cumpridos e a empresa apresentar bons resultados porque não deve o gestor ser recompensado pelo seu bom trabalho?

Não nos esquecemos que o PM tem o dever de avaliar o trabalho de quem chama para trabalhar “consigo” e/ou para “si”. Se o trabalho estiver a ser ruinoso para Portugal não é só o gestor público, neste caso, que fez uma má gestão porque este deve prestar contas a quem o contratou – assim se deve trabalhar se nada há a esconder!

Pela lei, os gestores públicos (porque supostamente não são políticos, mas esse é outro tema) não têm direito a subvenções vitalícias, mas “temos de garantir a decência e a justiça”.

Cada um traça o cenário que lhe convém, cria a personagem que naquele momento dá mais jeito e depois só espera que os portugueses se sentem comodamente no sofá com a taça das pipocas ao colo e apreciem o novo filme da saga que nunca mais tem fim à vista.

Não brinquemos ao faz de conta porque criar bons cenários também custa dinheiro (e não estamos em Hollywood)! Porém, não percam o próximo episódio porque eu também não!

Susana Santos

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