Já está tudo bem?

[dropcap size=”500%”]Q[/dropcap]uestiono-me constantemente se o período de crise económico-financeiro que marcou os últimos anos já terminou ou se está por terminar! Mas este Orçamento de Estado veio nos dizer que está tudo bem. Se o Estado é autossuficiente para reverter medidas como as subvenções políticas, então é um sinal de esperança: temos fundos para financiar políticos fora do ativo! Mas e nós?

 Já sabemos que a Assembleia da República e o Tribunal Constitucional uniram-se para que 18,8 milhões de euros sejam gastos em subvenções vitalícias, a primeira ao aprovar este OE, a segunda revertendo a decisão do anterior Executivo, o que obriga a reposição das verbas cortadas nos últimos dois anos a este “subsídio”. Portanto, de 700,000 euros (o valor pago no
Orçamento do ano passado) disparou para 18,780,000, valor conjeturado para o OE2016. Uma subida de 2700%.

 Fica provado que este Governo não está revestido de legitimidade política ao andar a brincar com as contas do Estado, aumentado pensões de valores exorbitantes para alguns, e um poucachinho para a maioria. E enquanto isso, a Educação perde 80 milhões relativamente a 2015, o subsídio de Natal vai continuar a ser pago em duodécimos, o Imposto sobre Veículos e o IMI também sofrem a sua cota parte e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, instituto público importantíssimo ao desempenhar um papel fulcral de assistência às empresas portuguesas exportadoras, sofre um corte de 21,3% nas suas verbas prognosticadas neste Orçamento de Estado. Mas olha, está tudo bem!

Guilherme Neto

 

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