Inovação nos transportes públicos

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s problemas dos territórios de baixa densidade populacional são múltiplos, passando pela educação, pelo acesso a serviços públicos, pela criação de emprego, etc. Um dos problemas de que menos se fala é da falta de transportes públicos e dos custos que os existentes têm para o Estado.

Com a generalização do uso do automóvel, os transportes públicos perderam grande parte dos seus utilizadores. E com isso foram prejudicados aqueles que por diversas razões não utilizam automóvel (porque com a diminuição da utilização foram supridos serviços) e foi também prejudicado o Estado que tem de pagar indemnizações compensatórias pela manutenção dos serviços existentes. Ou seja, quanto menos utilização menos oferta e quanto menos oferta menos utilização, levando a um ciclo vicioso de degradação do transporte público.

E como se resolve este problema? Como todos os problemas que afectam os territórios de baixa densidade populacional, a solução não é simples, mas passa certamente por um maior envolvimento das autarquias. E é exactamente isso que nos traz o programa Portugal Porta-a-Porta que o Governo se prepara para implementar. É um programa inovador e que pode muito bem ser a melhor solução para este problema.

O programa consiste num sistema em que os transportes passam a ser reservados com um dia de antecedência pelos utilizadores, sendo que só passarão nas paragens onde existem reservas. E mais, poderá adaptar-se o tipo de transporte ao número de reservas, isto é, quando houver menos passageiros podem ser utilizados táxis, carrinhas de transporte de passageiros, minibus… Vantagens? Para todos. Para os utilizadores, pois diminui os custos fixos das rotas, permitindo assim aumentar o número e frequência das mesmas. Para o Estado, que com menos custos associados a este serviço consegue reduzir ou extinguir as indemnizações compensatórias.

E as autarquias têm o papel importante de desenhar modelos adequados às realidades locais e de numa perspectiva de intermunicipalidade encontrar formas de reduzir os custos fixos (que consistem essencialmente na reserva da frota, que poderá ser partilhada entre vários municípios).

A palavra-chave para a resolução dos problemas da interioridade é inovar. E neste caso não há dúvidas que estamos perante uma inovação importante.

Nuno Carrasqueira

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