Impostos actuais vs Impostos futuros

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xceptuando algumas mentes socialistas que até ontem defendiam que os impostos deviam aumentar para manter a despesa do Estado (e que agora vão votar contra o OE por aumentar impostos), é mais ou menos consensual a necessidade de reduzir a carga fiscal.

Assim, é normal que agora muitos portugueses critiquem o Governo por aumentar a carga fiscal no próximo ano. Não posso estar mais de acordo! Mas quero fazer uma ressalva: o Governo aumenta os impostos actuais ou os impostos futuros?

O que é isto dos impostos futuros? São os impostos que teremos de pagar no futuro para financiar o endividamento do exercício actual. Ou seja, se temos um défice de 2,7%, significa que estamos a adiar a cobrança de impostos para o futuro (e com juros!).

Então qual é o total de impostos a cobrar para o ano de 2015? Todos os que pagaremos durante esse ano mais os que pagaremos no futuro para financiar os 2,7% de défice. Ou seja, o volume total de impostos a cobrar para o ano de 2015, constituirá a despesa que pagamos nesse ano mais a despesa que pagaremos no futuro. Facilmente se concluirá, que esse valor será a despesa total.

Daí se depreende que baixar impostos é, em verdade, baixar a despesa. Aliás, se o Governo mantendo a despesa aumentasse a carga fiscal, baixaria ainda assim os impostos necessários para financiar o país durante o ano de 2015, pois pouparia o dinheiro dos juros que financiam o défice.

Ah mas se baixarmos impostos vivemos todos melhor. Bem sei que “no longo prazo estaremos todos mortos”, mas é esse o legado de dívidas que querem deixar aos vossos filhos?

Ah mas com impostos baixos atraímos mais empresas, a economia cresce e diminui o nosso esforço para pagar impostos. As empresas procuram não só uma fiscalidade baixa mas também uma fiscalidade estável. Que estabilidade oferece um país que se endivida? A estabilidade de quem inevitavelmente vai ter de aumentar os impostos no futuro. Não me parece muito atractivo.

Concluindo, da próxima vez que quiser baixar os impostos, pense em que rúbrica da despesa pode cortar.

Nuno Carrasqueira

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