Game Over: agora jogo eu!

[dropcap size=”500%”]O[/dropcap]

s últimos 20 anos de governação são marcados pela alternância de lideranças políticas que chegam ao poder sem estarem devidamente preparados para governar. Em 1995, com Guterres após o célebre cavaquismo; em 2002, PSD e CDS são eleitos antes do tempo, após “fuga” de Guterres; em 2005, situação inversa, com personagens tão distintas como Santana Lopes e José Sócrates; em 2012, sai Sócrates e entra a Troika. Um verdadeiro “roda-bota-fora”, e quem está de fora (oposição), entra para governar. António Costa está neste momento no sofá, com o comando da playstation na mão, à espera do “Game Over” de Passos Coelho e deste governo.

Mesmo após o Presidente da República ter referido que as eleições legislativas serão na data prevista, o Partido Socialista voltou “à carga” com a temática das eleições antecipadas em 2015, a propósito da demissão de Miguel Macedo.

Até poderia ser aceitável a antecipação do calendário eleitoral para evitar o atraso na apresentação do Orçamento de Estado, embora sugira oportunismo. Colocar orçamentos a debate em campanha não é minimamente razoável dado o contexto. E acredito que o grande medo de Costa é passar meses a assombrar o OE 2015 e a sua execução, construindo a insatisfação popular durante a campanha eleitoral, e semanas depois se atropelar com o seu próprio OE 2016.

A mim parece-me evidente que o PS e António Costa perderiam com esta antecipação, bem como perdem com a presença de Vieira da Silva (talvez quem tenha deixado o “veneno”, traga agora o antídoto) ou José Sócrates (que reabilitação tão rocambolesca e contra eleitoralista).

Embora o diga com muito receio (porque podemos estar a falar do próximo Primeiro Ministro), António Costa é um demagogo. Na boa tradição socialista iniciada com Mário Soares, vai tentar iludir o povo com um discurso populista e mediatizado. Pela experiência e habilidade, apresentará algumas promessas vagas. Costa terá que explicar o que vai fazer para reduzir a despesa e promover o crescimento económico, e não chega dizer que se quer, porque todos querem. Será necessário indicar como, e sem aumentar a despesa pública.

Costa disse que o país seria muito melhor governado se o PS estivesse no governo. Infelizmente o actual Governo tem estado longe da perfeição e vai acumulando alguns erros. Tem faltado a coragem política necessária para resolver o essencial, o que também requer tempo e medidas de fundo. Só que tornar a despesa compatível com a receita, o mínimo exigível para parar o endividamento exponencial, é algo que não faz parte do “modus operandi” dos socialistas. O estado de negação a que só renunciam obrigados, arrastar-nos-ia de novo para um outro resgate, o 4º da história, e com ele a definitiva queda da respeitabilidade que se tem vindo a recuperar arduamente.

O histórico de governação do PS, em que se mostraram sempre acérrimos defensores das contas públicas, é suficientemente conclusivo:

1978 – 1º resgate financeiro do FMI subscrito por Mário Soares;

1983 – 2º resgate financeiro do FMI subscrito por Mário Soares;

2002 – Durão Barroso chega ao governo e anuncia que o país está na lama após 6 anos de governação de António Guterres;

2011- 3º resgate financeiro subscrito por José Sócrates.

Quantos resgates mais serão necessários para o povo entender duma vez por todas?

Revendo as “últimas” de Costa e do PS, dá a sensação de um grupo que não compreende que a mentalidade mudou e que a demagogia não se confunde com qualidade política. O actual governo deverá ser mais penalizado que o socialismo, por isso temo o futuro com um governo deste PS. Costa pode dizer o que quiser mas se um dia chefiar um governo terá que afastar-se das políticas de Sócrates e prosseguir o que fez Passos Coelho. Compete ao actual governo explicar isto aos portugueses.

(Este texto não foi, propositadamente, escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico)

Celso Casinha

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *