Fácil despedir, fácil contratar

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uando Hollande se candidatou à Presidência da França, com propostas de políticas expansionistas e intervencionistas (que incluíam, por exemplo, limites ao preço dos combustíveis, taxas ridículas sobre as fortunas, aumentos substanciais da despesa pública, etc.), várias vezes comentei que ele para França o melhor era que ele fosse um mentiroso. Porque se cumprisse aquilo que prometia, era desastre certo. Mas a verdade é que com este chorrilho de disparates, se tornou na grande referência da esquerda europeia. Mas, poucos meses depois, já estava a dar o dito por não dito e todo o seu plano se resumiu a nada. Hoje, é impopular para a esquerda que o apoiou e para a direita que nunca concordou com ele. E a verdade é que, mesmo não tendo aplicado a receita socialista a que se propunha, também não tem determinação para aplicar qualquer outra.

A mais recente esperança da esquerda europeia (salvo o Messias Costa, que obviamente não é uma esperança, é uma certeza) foi Matteo Renzi. O homem que viu ontem votada no Senado a autorização para alterar o Código do Trabalho. E qual é o objectivo deste homem de esquerda? Aumentar o proteccionismo? Aumentar os dias de férias? Reduzir o horário de trabalho? Aumentar o salário mínimo? Não. Permitir o despedimento sem justa causa de trabalhadores com contrato sem termo.

“Ah malvado liberal!”. Será?

Imaginemos uma qualquer empresa num sector em crise (construção, por exemplo) a quem o negócio corre de vento em popa. Grande parte dos concorrentes não resistiram à crise e, consequentemente, o seu número de clientes tem vindo a aumentar, ao ponto de não conseguir dar resposta. Pondera contratar mais funcionários. Mas e se a crise se agrava? “Se as outras empresas não resistiram, o que pode acontecer à minha? Se o meu volume de negócios diminui, como vou conseguir pagar os salários a tantos trabalhadores?”. Decide não contratar. Entretanto a crise não se agrava. A empresa continua a recusar trabalhos e os trabalhadores continuam desempregados. Tudo em nome da sua própria protecção.

Nuno Carrasqueira

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