Europa tem futuro?

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pós os resultados verificados nas eleições do passado domingo, assalta-nos uma questão: será o projecto europeu viável? Será possível caminhar no sentido da integração?

Os níveis de abstenção foram muito elevados por toda a Europa, sendo Portugal um dos países de vanguarda. Quanto ao caso português, tive expectativa duma diminuição da abstenção, pois sempre tive esperança que a crise por que passamos, face à intervenção da troika, constituída (mas não só) por agentes da UE, fizesse nascer no povo português uma maior ligação às instituições europeias, ainda que não pelas melhores razões. Naif.

Assistimos a um reforçar da representação de partidos políticos adversos aos ideais europeus, da esquerda à direita, à vitória de radicais de esquerda na Grécia e à extrema-direita francesa alcançar 24 deputados, mais do que todos os portugueses. Vimos um aumento de representação de partidos de extrema-direita, alguns deles assumidamente xenófobos e até neonazis, estando em curso diligências com o objectivo de criar uma bancada organizada, constituída unicamente por estes partidos.

As causas para este fenómeno são diversas, a crise económico-financeira e a escassez de emprego são talvez as causas mais importantes, mas não nos podemos esquecer dos fenómenos independentistas que teimam em manter-se.

Além de tudo isto, é patente a falta de líderes europeus carismáticos, que consigam afastar-se dos interesses nacionais e ter um sentido estratégico europeu. Faltam líderes à semelhança dos que fundaram a UE. Assistimos a este vazio marcadamente nos partidos socialistas europeus, órfãos de um líder incontestável, tendo sido eles os principais responsáveis pelo surgimento da ideia de Europa unida. Vemos isso de forma gritante quando olhamos para Hollande e o resultado paupérrimo do seu partido, ficando relegado para o lugar de terceiro mais votado. Um líder que tanto entusiasmou (era o herói pessoal de Seguro), é desde há largos meses o presidente francês com menos popularidade de sempre. É também ele o espelho da actual Europa.

Soluções? Essa é a resposta para o milhão de euros. A única certeza é que o caminho actual é o da fractura europeia.

PS: Eleger Marinho e Pinto, o comentador dos programas da manhã, é pior e mais perigoso que 10 palhaços Grillos, Portugal conseguiu.

João Carreira

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