Ensino Profissional: sim! Escolas Profissionais: Talvez.

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um período em que o assunto ETAP – Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Pombal está na ordem do dia concelhia, onde presumivelmente se iniciará um novo ciclo de direcção, é também altura para reflectir sobre aquilo que ambicionamos para esta escola, sobre aquilo que queremos que seja o futuro da ETAP. Porém, esse pensamento estratégico encontra alguns obstáculos, a começar por aquela que é a visão do governo para com as Escolas Profissionais.

Este governo definiu (e bem!!!) o ensino profissional como uma prioridade. É comum ouvir o Ministro apontar a meta a alcançar, de 50% dos alunos do ensino secundário a frequentar a vertente profissional, indo assim ao encontro daquilo que acontece em outros países da UE, onde desde muito cedo se abre uma dualidade de percursos curriculares. Essa intenção do Ministro tem vindo a ser acatada pela sociedade portuguesa, em poucos anos conseguimos passar de uma quase plenitude do ensino secundário convencional, para uma importante fatia de alunos em ensino profissional.

Acontece que com as reconstruções das escolas promovidas pela Parque Escolar, estes novos edifícios adquiriram condições para desenvolver cursos de ensino profissional, existindo hoje pelas Escolas Secundárias de todo o país várias turmas de ensino profissional. Não há dúvidas de que esta é uma boa ideia, uma óptima intenção. Porém, ao longo deste processo o governo acabou por esquecer as já existentes Escolas Profissionais, não tendo delineado uma estratégia nacional para as mesmas. Temos hoje em todo o país (incluindo vários concelhos do distrito de Leiria) concelhos em que há uma repetição dos cursos promovidos pelas Escolas Secundárias convencionais e pelas Escolas Profissionais desse local, estando estas a concorrer entre si!

Resta saber se o governo esqueceu a realidade das Escolas Profissionais, se tem uma estratégia nacional para as mesmas, ou se simplesmente quer que as Escolas Secundárias ocupem este lugar no ensino português… Porque se agora fechamos escolas primárias por falta de alunos, essa escassez de alunos também se há-de reflectir nos ciclos escolares seguintes, e parece mais fácil encerrar uma Escola Profissional, do que uma Escola Secundária… Pelo menos na teoria!

No caso de Pombal e em altura de início de novo ciclo, cabe pensar a ETAP, identificando o cluster em que apostar. Apostar em cursos inovadores e inéditos a nível nacional? Ou apostar nas áreas profissionais com maior procura pelo tecido empresarial local? Ou,…ou,…ou,… Cabe delinear uma estratégia de promoção e de sustentabilidade da ETAP a médio prazo, para que se consiga combater aquela que pode vir a ser a tendência nacional dos próximos anos de desmantelamento das Escolas Profissionais.

João Santos

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