Economia livre: selvagem ou amiga do crescimento?

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izem que liberais não têm coração porque eles acham que a redução da pobreza absoluta é mais importante que a redução da desigualdade relativa. Eu não sei você, eu nunca vi ninguém morrer de desigualdade – mas de fome eu sei que tem gente que morre todos os dias.”

Carlos Góes

A Suíça, terra muito dada a referendos, colocou nas mãos dos cidadãos a decisão da limitação dos salários mais altos. A “Iniciativa 1:12” tinha como objectivo limitar os salários mais altos de uma empresa a 12 vezes o valor do salário mais baixo da mesma empresa. 65,3% dos suíços recusaram a proposta e deixaram as decisões acerca da administração das empresas, para… a administração das empresas.

Olhando para a vox pop veiculada pela comunicação social em Portugal, qual seria o resultado de semelhante referendo por cá? Provavelmente ainda se acharia pouco ambicioso. Por cá a liberdade parece não ser um valor assim tão importante e a iliteracia económica de grande parte dos portugueses também não ajuda… Por cá, mais do que combater a pobreza, o discurso dominante é o do combate às desigualdades sociais. E pergunto eu, que sociedade é mais igualitária, uma em que todos ganhem 500€ ou uma em que os salários mais baixos sejam de 750€ (ou os tais 500 ou até 450) e os mais altos de 60.000€? E qual a sociedade mais próspera? E além do mais, o discurso da igualdade leva geralmente a sociedades como a retratada por Orwell, em que uns acabam por ser mais iguais do que outros.

A mentalidade da suposta vox pop portuguesa parece ser ainda a mesma de Otelo com o seu “em Portugal, queremos acabar com os ricos”, em contraponto com a resposta então Primeiro-Ministro sueco, “Curioso, nós na Suécia queremos acabar é com os pobres”.

Voltando aos referendos suíços, relembro um outro realizado o ano passado, em que os eleitores recusaram o aumento (legal) do período de férias de 4 para 6 semanas anuais. Mais uma vez, deixaram a decisão das férias que as empresas dão aos trabalhadores, nas mãos… das empresas e dos trabalhadores. Sim, porque com isto não se proíbem as 6 semanas de férias, apenas se deixa margem de negociação entre as partes. Tal como nos países em que não há limite mínimo para o período de férias, não são proibidas as férias, nem nos países sem salário mínimo as pessoas são obrigadas a trabalhar de graça. Mais uma vez, tudo uma questão de liberdade. Porque as empresas não são todas umas malvadas, nem esta coisa do capitalismo pretende matar toda a gente. Aliás, Portugal tinha já antes do 25 de Abril, pelo menos, um bom exemplo disso: a CUF, que mostrava preocupações sociais, tais como a educação e a saúde dos seus trabalhadores, bem antes de o Estado pensar sequer nessas coisas. A 25 de Abril, não fossem as pessoas pensar que a iniciativa privada podia mesmo fazer coisas boas sem meter o Estado ao barulho, foi nacionalizada a CUF e Jorge de Mello exilado. Morreu a semana passada, num Estado (Social) à beira da falência, em que as empresas são tratadas como inimigo público e em que a “caridadezinha” (leia-se solidariedade de iniciativa privada) é uma coisa a combater, para salvaguardar a solidariedade feita por quem realmente sabe do assunto, o Estado (com os impostos dos contribuintes). Paz à sua alma. De Jorge de Mello e da iniciativa privada.

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