E se fores tu a decidir?

[dropcap size=”500%”]É[/dropcap]

o ponto fundamental da política: decidir. É este o ponto de toda a concórdia, discórdia, consenso e rotura. Tudo se define na decisão e tudo se joga na tentativa de influenciar, alterar ou definir essa mesma decisão. Depois disso tudo muda, tudo se altera e, em relação à matéria de facto, tudo recomeça e começa a conhecer um “novo amanhã”. Só temos verdadeiramente poder, se tivermos o poder final: o poder de decisão.


Imaginemos então que o poder é teu. Que és tu quem decide e que te cabe a ti fazer parte da tomada de decisão final. Como te sentirias?

Bom, vivemos numa democracia, é facto, mas poucas vezes utilizamos todas as ferramentas que nos são disponibilizadas por ela. A decisão, numa democracia representativa como a nossa, cabe sempre ou maioritariamente, aos eleitos de cada partido que nos representam nas várias assembleias e executivos por este país fora. Apesar do recente (e muito positivo) aparecimento dos Orçamentos Participativos, a grande maioria das decisões é tomada pelos eleitos que se dividem por visões ideológicas e que, desta forma, representam a vontade politica e visão politica expressa pelo eleitorado em cada acto eleitoral isolado.

Que fique claro: este é um modelo justo e a legitimidade de decisão dos elementos eleitos é absolutamente inequívoca e intocável. Estão eleitos para representar a vontade de quem neles votou e decidir por estes de acordo com a sua identidade ideológica (que orienta as decisões e visão de estado, expressa em voto).

Contudo há decisões que não se definem por ideologia. Há opções que não se tomam por se ser de esquerda ou de direita, socialista ou social-democrata. Não somos de esquerda por sermos a favor da despenalização das drogas leves ou de direita por sermos contra a despenalização total do aborto. Há gente a favor e contra dos dois lados da barricada e, tirando no PC, todos estes assuntos são geradores de grandes discórdias internas que só se resolvem pelo exercício da liberdade de voto e do voto em consciência (individual no caso). Em democracia deve ser sempre a maioria a decidir e quando a amostra não pode, sobe o assunto em questão, ser dividida por campo ideológico, deve ser no campo da consciência individual que a decisão deve ser tomada, sendo devolvida à totalidade das “individualidades”, ou seja, a cada uma e a cada um dos eleitores.

Mas não são só as questões de consciência que não cabem na divisão ideológica. As questões de identidade são também do fórum individual e, obviamente, carecem de uma maioria individual sempre e quando afectem a totalidade do colectivo. É também nestas alturas que a decisão deve estar do teu lado e que deve passar por ti a decisão de alterar, não alterar e fazer com que se torne verdadeiramente representativa a decisão que se vier a tomar.

E é aqui que voltamos à pergunta: e se fores tu a decidir? Se passar por ti a decisão e poderes ser tu a escolher o que deve ou não ser a definição de um ponto tão importante da nossa identidade colectiva? Querias esse poder?

Pensa nisso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *