E a agricultura?

Hoje vivem-se tempos diferentes num Portugal em que, outrora, grande parte da população trabalhava no setor primário..

Hoje podemos claramente dizer que vivemos num país evoluído, em que os setores de atividade que dominam a economia são sem dúvida o secundário e o terciário. Mas… sobreviveriam estes dois setores fundamentais, sem o esquecido e abandonado setor primário?

Vejamos…

É de todo sabido que os tempos mudaram e muito se mudou com eles, por exemplo as pessoas! As pessoas mudaram e mudaram-se, deixaram as aldeias e fixaram-se nas cidades, muitos disseram adeus a uma vida de trabalho no campo, mas um dia isso viria a mudar! Quando Portugal entrou na então CEE em 1986 a população ativa na agricultura era de 25%. Atualmente são cerca de 5%. Vejamos também que no ano de 2011 cerca de 3 anos após o início da crise económica em 2008, muitos voltaram às suas origens que outrora teriam abandonado.

Mas não vão ser esses que vão tirar o setor primário do “coma”.

São as novas gerações, aqueles que procuram trabalho na área ou os que querem investir no setor primário. Existe hoje uma nova geração que olha para o setor primário com outros olhos, olha-o sabendo que poderia tirar partido do que a natureza lhes proporciona, de uma forma mais ecológica e sustentável!

E será possível em Portugal um jovem iniciar uma atividade de produção agrícola ou animal do zero?
Eu diria que é possível, mas qualquer jovem que tente iniciar atividade nesta área vê-se cercado de burocracia e, obviamente, mais custos associados. A excessiva quantidade de documentos necessários para iniciar uma candidatura, os tempos de espera para se obter uma resposta da mesma, que podem demorar um ano ou mais, as diversas alterações consecutivas ao PDR2020, os entraves causados com legislação complexa, as imposições postas pela UE, quando vivemos uma realidade diferente de outros países e a dificuldade de crédito perante as instituições bancárias são fatores suficientes para afastarem os jovens do setor. Em Portugal grande parte dos agricultores tem mais de 65 anos, e a nova geração de agricultores tem obviamente mais formação e está disposta a revolucionar a nossa agricultura.

Num Portugal onde milhares de hectares estão claramente ao abandono, a criação de um banco de terras é vista com bons olhos, mas, a simplificação de todo o processo burocrático seria para muitos a cereja no topo do bolo sendo um elo que tornaria o nosso setor primário mais competitivo.

Mas é de facto um desleixo os “3 mosqueteiros” não proporcionarem medidas que visem a simplificação destes processos burocráticos, que obviamente criariam mais investimento e quiçá novos postos de trabalho, mas o que causa um outro tanto espanto é o “mosqueteiro da foice e do martelo” não reclamar medidas nesta área, que de facto é fulcral para o equilíbrio da Balança Comercial Portuguesa.

Joni Fernandes