Direito ao Voto

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dia 11 de Dezembro do corrente ano para muitos de nós não passou de mais um dia vivido como tantos outros. Porém, do outro lado do mundo, deu-se um feito marcante na história da Humanidade. Um feito que será recordado pelos nossos filhos e netos como o dia em que a igualdade de género venceu mais uma vez.

Pela primeira vez na história da Arábia Saudita, as mulheres puderam exercer um direito que às portuguesas já era garantido desde 1974. Pela primeira vez, foi quebrada a barreira da desigualdade sentida quanto ao direito ao voto e as mulheres deslocaram-se às urnas.

Apesar de noutros campos ainda ser sentida a desigualdade de género, pelo menos foi dado a estas mulheres um poder que muitos de nós não atribui qualquer significado. Poder esse que é o poder de votar, o poder de mudar o rumo do nosso País, o poder de buscar uma reforma positiva do Estado. Por diversas vezes pensamos, “porquê votar?”, “é só mais um voto, não fará qualquer diferença no meio de tantos outros”… contudo isto não é verdade, a todos nós foi dada uma oportunidade de demonstrar o nosso contentamento, uma oportunidade de mostrarmos a nossa insatisfação também. Mais do que tudo foi-nos dado um direito à voz, à liberdade de escolha, à liberdade de expressão. Direitos que são constitucionalmente protegidos desde 1976, resultantes de uma luta constante pela igualdade e um árduo combate contra o regime fascista que se vivia em Portugal.

No entanto, não se trata apenas de um direito mas também de um dever. Um dever cívico pelo qual os capitães de Abril lutaram e pelo qual todos nós devemos lutar para que ele permaneça, e não se desvaneça. Não havendo melhor forma de o defender se não pelo exercício desse mesmo direito. É com grande tristeza que vejo tantos jovens e por vezes graúdos a menosprezarem o voto, sem tomarem consciência de como seriam as nossas vidas se dele não beneficiássemos.

Com isto, deixo uma citação do celebre Francisco de Sá Carneiro :

“O voto só é perfeitamente democrático se for livre e racional, o que supõe uma igualdade tendencial da informação e do poder económico e social dos eleitores e dos elegíveis”.

Inês Santos

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