Desfile de Horrores

[dropcap size=”500%”]A[/dropcap]

campanha para as eleições presidenciais, embora só tendo tido início oficial no último domingo, perfila-se já como um completo desfile de horrores.
Debates com 4 candidatos às onze horas da noite em canais de cabo, candidatos fantoche com simples objectivos comerciais, candidatos sem qualquer objectivo, debates passados a discutir matérias fora da competência do cargo de Presidente da república e o já habitual chorrilho de lugares comuns com que se vão preenchendo jornais e televisões por acaso de visitas a lares, hospitais e creches. Até se discute calcetaria e também a Coreia do Norte.

Já vimos candidatos passar a ferro, dar de comer a crianças e convidar os altos responsáveis europeus para um almocinho no lar da esquina (com direito a capa de jornal!).
Numas eleições em que a principal figura do PS apela ao voto em dois candidatos e em que o candidato apoiado pelo PSD faz questão de vir menosprezando esse mesmo apoio, vemos ainda o candidato do PCP (o mais gastador de todos) ser, na opinião de Henrique Monteiro e Sousa Tavares, qualificado por como o pior de todos, à frente (ou atrás) de Tino de Rans, é caso para perguntar: What’s next?
A desilusão de alguma franja do eleitorado de direita com Marcelo Rebelo de Sousa tem vindo notoriamente a crescer. A campanha que decidiu fazer, num modo lone ranger, conduzindo ele próprio o seu carro e apresentando-se muitas vezes sozinho, aliada a uma aparente necessidade de aproveitar cada oportunidade para se afastar do seu passado partidário, tem contribuído imensamente para o patente desencantamento de muitos daqueles que constituiriam, à partida, a sua base de votação. Se é estratégia, penso ser errada e pelo menos o meu voto já não o terá. Além disso, faz-se valer do seu mediatismo para ficar de fora de um debate mais construtivo, o que também, diga-se, seria sempre difícil de praticar, face aos perfis dos outros candidatos, especialmente os do PS, que fazem dos lugares comuns o seu mote, em nada contribuindo para nada.
Tenho procurado nos restantes candidatos uma razão para merecerem o meu voto, mas não tenho conseguido encontrar nenhuma. Se calhar não serei o único, pois anuncia-se mais uma vez uma elevadíssima taxa de abstenção.
Por ora a única razão que tenho para ir votar no dia 24 é a de cumprimento do dever cívico de votar, e temo que até lá se mantenha como única.

 

João Carreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *