De Vitória em Vitória até à Derrota Final

[dropcap size=”500%”]A[/dropcap]ntónio Costa e os seus súbditos anunciaram na última sexta-feira duas retumbantes vitórias para o governo-geringonça: o orçamento para 2016 aprovado por Bruxelas e o acordo no âmbito do negócio de venda da TAP. Uma mera e infeliz coincidência, um grande azar para Costa que certamente pretenderia fazer ambas ecoar pelo maior tempo possível por essas páginas de jornais e antenas televisivas, sem correr o risco de uma se sobrepor à outra, perdendo com isso uma oportunidade de amealhar capital político.

 Obviamente, o leitor apercebeu-se do tom irónico das primeiras linhas deste texto, pois que as “vitórias” ficaram muito aquém dos objectivos e promessas anunciadas de António Costa. Vejamos desde logo o draft de orçamento apresentado, que erá já uma cedência aos outros partidos que formam a geringonça e que já na plasmava o prometido na campanha eleitoral do PS, teve de ser “ajustado” de forma cumprir os compromissos decorrentes de pertencer à U.E., compromissos esses conhecidos por todos nós. Foi assim necessário recorrer a um aumento de impostos à moda da esquerda no valor aproximado de mil milhões de euros. O “virar da página da austeridade” de Costa transformou-se num “princípio do fim da austeridade” de Centeno. Eu prefiro a designação de “austeridade de esquerda”, pois é exactamente aquilo que temos. E como é que eu sei que é de esquerda? Porque já se ouviram por aí as promessas tão esquerda vintage: “Ah, se os preços dos combustíveis subirem muito nós comprometemo-nos a baixar o imposto petrolífero” e ainda: “O imposto petrolífero não vai ter impacto nas empresas pois irão ter um desconto fiscal, através de uma majoração em custos.” Yeah right! A palavra que imediatamente me surge é: embuste.
Quanto ao acordo na TAP, António Costa prometeu que a maioria do seu capital seria público, custasse o que custasse. Com o acordo anunciado, fica apenas com 50%, pagando uma compensação aos privados, assumindo obrigações de injecções de capital no futuro e assumindo, claro, o risco do negócio ao lado dos privados e ainda não conseguindo ficar com qualquer garantia acrescida de que será prestado um serviço público.
Entretanto, os outros partidos da geringonça não ficaram muito agradados com a coisa, foram parcos nas palavras, mas o descontentamento ficou patente. O programa de estabilidade orçamental até 2020 a apresentar em Abril e o orçamento de 2017 marcarão decisivamente a política nacional e o destino deste governo. De vitória em vitória até à derrota final.

João Carreira

 

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