De Hollande a Costa, com paragem em Seguro

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]

ão se preocupe caro leitor, não irei falar sobre affairs da vida privada, por mais ‘’interessantes’’ que possam ser.

Em finais de 2011 François Hollande tomou as rédeas da esquerda francesa, era o candidato às eleições presidenciais francesas, que viria a ganhar, derrubando o então presidente Sarkozy, em Maio de 2012.

Por estes tempos, em Portugal, exultava-se este grande líder. Seguro falava de uma viragem à esquerda do comboio da Europa, um novo rumo que iria conduzir-nos à salvação, derrubando os malfeitores merkelianos. O maquinista Hollande iria fazer frente à Alemanha, alterar o rumo europeu, e tudo isto – imagine-se – sob o bastião da política de esquerda.

Era esta a mensagem do PS em Portugal, era este o novo fetiche que desfilava por esses shows televisivos, por essas páginas de jornais e revistas. Havia esperança, Hollande tinha de vencer as eleições.

Hollande venceu. E cedo os ventos de salvação socialista deram lugar a uma tempestade sombria de desilusão. Ainda mal se acabara de saber os resultados, já Hollande tinha fretada o primeiro avião e, de rabinho entre as pernas, reuniu com Merkel. Era preciso desculpar-se pelos exageros da campanha, na qual tinha arrasado a actuação da Alemanha na liderança europeia, não fosse o diabo tecê-las.

Poucos meses após a sua eleição, Hollande caía a pique na popularidade, sendo a sua presidência vista negativamente por quase 70% dos franceses. A economia francesa enfrenta dificuldades, os senhores dos ratings ameaçaram. O crescimento abrandou, e o défice galopa.

O que faz Hollande? Apresenta medidas de austeridade, requer aos sindicatos uma flexibilização das leis laborais, é preciso cortar na despesa pública. A França não resistiu à crise, e o seu líder abandonou as suas promessas eleitorais, virando-se para a austeridade.

Pergunta o leitor, ‘’então e as políticas de esquerda?’’

Mistério. Será que Seguro sabe responder? Fala-se por ai de um divórcio…

Em Portugal parece que nunca mais se ouviu falar de Hollande. Jornais, revistas, televisões, onde andam?

Oh, mas que tontice, andam todos à volta de António Costa, e do seu ‘’fantástico’’ trabalho em Lisboa. Realmente, aquelas projecções nas paredes dos monumentos são extraordinárias!

João Carreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *