Cultivem-nos!

[dropcap size=”500%”]C[/dropcap]

om o aproximar do fim das chamadas férias grandes, termina também a diária e constante brincadeira das nossas crianças.

É fácil notar que os “miúdos” deliram com as férias de verão! Mas ninguém os pode censurar, quem não deliraria com cerca de três meses de pura diversão e descanso?

Atualmente as férias de verão” são praticamente 90 dias sem qualquer tipo de preocupação para além de meter o protetor (porque a mãe obriga) ou ligar o pc lá de casa.

Nada de testes, nada de horários, nada de trabalhos de casa, nada de obrigações, nada de nada.Altura “zen” do ano.

Tempo em que estas crianças se sentem alegres e divertidas.

Altamente compreensível que assim o seja!

A minha questão é: porquê considerarem todo o ciclo de aprendizagem formal, mais concretamente, a escola, uma obrigação para alguns tão difícil de suportar?

A meu ver, com o passar dos anos, a população, em geral, foi-se acomodando à evolução tecnológica de tal forma que acabou por se desleixar um pouco no que toca ao seu contributo para o desenvolvimento/crescimento dos seus filhos. Ou seja, não é que na atualidade haja piores pais do que antigamente, no entanto, hoje em dia, os pais passam menos tempo com os filhos por diversas razões e, por vezes em modo de compensação, disponibilizam-lhes computadores, playstations, tablets que no mês de Agosto se tornam autênticos refúgios dos mais pequenos.

O lado mau desta situação é que estas crianças habituam-se a este estilo de vida mais sedentário e, não sendo motivadas pelos seus pais para ver um documentário em vez de uma série de animes, ou ler as notícias do dia em vários jornais online em vez de percorrer as redes sociais, vão perdendo a vontade de aprender, de querer saber da sua terra, do seu planeta, da situação do seu próprio país…

Deste modo, este vazio cultural e o desinteresse das nossas crianças influencia o percurso escolar das mesmas, na medida em que estas não têm um incentivo nem a vontade de querer saber mais. Acomodam-se assim às coisas banais do momento, acabando por crescer sem dar valor à cultura.

Falando em termos gerais, a aculturação destes jovens vai-se alastrando, gerando uma população cada vez mais inculta.

Popularmente, costuma dizer-se que “a educação vem de casa”.

No entanto, educar não significa só ensinar as crianças a ter boas maneiras, a ser organizado, a saber ouvir e falar bem. Educar vai para além disso. Quando se traz uma vida ao mundo tem de se ter consciência de que um dia esse pequeno ser será um cidadão na sociedade.

Para tal e para que possa, de alguma forma, contribuir para a evolução da mesma, necessita de um guia, neste caso os pais.

Segundo o meu prisma da educação, parte dos pais educar para a cultura e estimular o inteiramento cultural no decorrer da vida dos filhos. Creio que este deva ser contínuo e iniciar-se cedo.

Precisa-se de gente culta e sabedora neste país! Pessoas que se interessem por mais do que aquilo que os olhos podem ver!

Porque não oferecer um livro interessante ao seu filho no lugar de um tablet com jogos?

Pais e futuros pais, pensem no melhor para os vossos filhos e ajudem-nos a deixar a sua própria marca na sociedade, “até porque o saber não ocupa lugar”!

Rita Mendes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *