Com o PS a governar, tudo vai retornar

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título deste texto podia acabar com “e o país afundar”, mas essa é uma conclusão que deixo para os leitores. Inspirei-me para este texto numa recente entrevista dada por um ex-governante e ex – Governador Civil do distrito de Leiria, onde de forma implícita defende o ressurgimento dos Governos Civis, extintos pelas mãos deste governo. Diz que desde a extinção dos mesmos que a coordenação do combate a incêndios não funciona e que os Governos Civis tinham importantes funções de prevenção e pedagogia junto da sociedade, acrescentando ainda que tinham um mero custo de 5 milhões/ano.

Não querendo dedicar este texto a tais declarações, não posso deixar de referir que se existem problemas no que ao combate aos incêndios respeita, esses certamente podem ser solucionados por outro caminho, através de outras entidades ou de outros mecanismos, que não impliquem, só por si, o renascer dos Governos Civis com todos os custos directos e indirectos que originam. A pedagogia e prevenção podem perfeitamente ser promovidas por outras entidades, a começar pelas autarquias. E os 5 milhões/ano apontados como custo total do funcionamento dos 18 Governos Civis são evidentemente questionáveis, quando os dados apontam para um custo de mais de 25 milhões/ano. O que é facilmente perceptível dado toda a logística, toda a manutenção, todo o pessoal, toda a estrutura e todo o protocolo que rodeavam a figura do Governador Civil e a instituição Governo Civil.

Neste país hão-de ser pouquíssimos os cidadãos que sabem enumerar as funções que os Governos Civis tinham e qual a implicação de tais órgãos na vida do quotidiano. Mais, para além do PSD e do CDS-PP, até o Bloco de Esquerda defendia a extinção deste órgão político. E, sejamos razoáveis e pragmáticos: qual a razão de ser para a existência de um órgão que visava a representação do Governo no distrito, quando sabemos que praticamente nenhuma organização de serviço ou função do Estado assenta na circunscrição territorial do distrito, ou seja, os Governos Civis estavam vazios de funções.

Em Portugal devem ser poucos os agentes políticos ou os cidadãos que não concordam com a decisão deste governo de extinguir os Governos Civis. Pelos vistos, todos, menos o PS. Esta é já uma marca que o PS vai deixando ao longo desta legislatura. O Governo acaba com institutos, fundações ou comissões e o PS vem atrás dizer que quando governar as volta a criar. O governo agrega freguesias e o PS vem atrás dizer que quando governar as volta a separar. O governo encerra tribunais e o PS vem atrás dizer que quando governar os volta a abrir. O governo encerra serviços de saúde e idem. Encerra serviços públicos e idem…Etc…Etc.

Não há dúvidas de que em algumas situações o Governo possa ter ido demasiado longe e, para responder às necessidades da população, seja necessário fazer renascer ou reajustar alguns serviços e repensar determinadas decisões. Mas, todos sabemos que muitas destas difíceis decisões já vêm tarde, que há muito urgia coadunar a implantação e a ramificação do Estado no território com o dinheiro que possuímos para a sustentar e com o volume da procura que se verifica. Todos sabemos que nenhum Governo gosta de extinguir, acabar ou encerrar o que quer que seja, é impopular socialmente. E, quando falamos em lugares políticos ou de nomeação política é também impopular dentro dos próprios partidos, porque diminuem os lugares para distribuir pela tradicional clientela política, que infelizmente ainda subsiste.

Logo, se este Governo se viu obrigado e teve a coragem de diminuir aquilo que não era razoável sustentarmos, qualquer Governo inteligente que se siga deve aproveitar o trabalho já desenvolvido e prossegui-lo. Já percebemos que o PS para ganhar eleições, a qualquer custo, prefere prometer o contrário, já que é bem mais apelativo, e deixar cair todo o trabalho feito até então, todos os esforços feitos pelos portugueses. É uma opção do PS e dos eleitores portugueses. Mas, depois não achem estranho que daqui a 2 ou 3 anos voltemos a receber ajuda internacional, dessa vez já com menos paciência dos credores internacionais e com efeitos ainda mais nefastos para Portugal e para os portugueses. Se agora conseguimos não cair no estado da Grécia, nessa altura vamos suplantar o cenário vivido na Grécia – e sobre a Grécia aconselho o programa da TVI24 “Observatório do mundo – Grécia a caminho da guerra civil”.

Vamos aproveitar aquilo que de bom tem sido feito e não nos iludamos com o canto da sereia, com o populismo fácil e demagógico com que a oposição nos gosta de tentar.

João Santos

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