Coligação. Sim ou não?

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e há uns meses a esta parte eu defendia que a coligação pré-eleitoral com o CDS-PP devia ser anunciada o mais cedo possível, hoje já não tenho tantas certezas disso. O protelar da decisão originou o que se previa, dúvidas, instabilidade, incertezas, tabus… E agora o timing já não é o melhor. Mas, se se esperou até este momento, é preferível agora não cair na tentação desesperante de ir já a correr anunciar a coligação sem cabeça, tronco e membros. Convém analisar o contexto político e ponderar qual a melhor estratégia a seguir.

Vamos então ao cerne da questão. Qual a diferença entre ir ou não coligados, e quais as vantagens e desvantagens de um e outro caminho… Só faz sentido uma coligação pré-eleitoral PSD/CDS se existirem expectativas de que esta candidatura obtenha mais votos do que a 2ª candidatura mais votada, ou seja, o PS. Assim é, porque a Constituição da República dispõe que o Presidente da República convida o partido (ou coligação) mais votado a formar governo. (Claro que a Constituição também permite que dentro do quadro parlamentar se criem as soluções governativas mais criativas possíveis, porém essa não é uma prática comum em Portugal.) Verificando-se de antemão essa possibilidade de vitória seria um erro não ir a eleições coligado, já que seria frustrante num cenário pós-eleições, às quais PSD e CDS tinham concorrido em separado, verificar que os dois juntos até tinham mais votos do que o PS, mas como tinham concorrido em separado, o partido convidado a formar governo seria o PS, como partido mais votado.

Para além desta hipótese, existem outras duas que justificam que o PSD e o CDS concorram em separado às legislativas. A primeira é o PSD ter a convicção de que sozinho consegue obter maioria absoluta, o que não é minimamente verosímil para as próximas eleições. A segunda é gerar-se a convicção de que mesmo indo a eleições juntos não conseguem obter mais votos do que o PS sozinho. Colocando-se este cenário é preferível para ambos os partidos (PSD e CDS) concorrerem sozinhos, pois conseguem alcançar um espectro eleitoral mais amplo do que indo coligados: o CDS vai captar mais votos à direita, e o PSD ao centro e centro-esquerda.

E então o que é que fazemos? A meu ver o timing ideal para o anúncio da coligação teria sido logo após as eleições europeias, resolvia-se logo a questão, não se dava azo a dúvidas e hesitações e, à data, o ambiente político ainda não estava contaminado com o tema eleições legislativas 2015 e a pressão que daí decorre. Não se tendo isso consumado, criou-se estes pequenos casos que demonstram alguma instabilidade na coligação, percebe-se que ambos os partidos estão a puxar a corda, e já se colocam todos os cenários.

Calma e serenidade é o que se pretende nesta altura, nada de precipitações. Chegados a este ponto, não entendo que venha mal ao mundo se não existir coligação, mas ainda assim mantenho a opinião de que PSD e CDS devem ir coligados a eleições por três motivos:

1 – Orgulho e defesa inequívoca das políticas levadas a cabo neste mandato;

2 – A complementaridade da mensagem de campanha, o PSD transmite rigor, verdade e credibilidade e o CDS aborda temas que mexem com os portugueses (por.ex. segurança e agricultura);

3 – Na recta final do governo seria estranho ver os dois partidos da coligação a fazerem cada um a sua campanha. Porém, para essa coligação ser anunciada com toda a força e convicção, urge pôr os partidos a funcionar, urge começar internamente a mexer com a estrutura do PSD e do CDS, urge olear e motivar a máquina, só com os motores bem afinados se pode anunciar um coligação que faça frente ao renascimento soarista, guterrista, socrático e costista do PS.

João Santos

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