Ciclo Vicioso

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epois de décadas de despesismo, beneficiando de grandes fluxos de liquidez provenientes da União Europeia, gastos maioritariamente sem uma verdadeira estratégia de futuro e sustentabilidade para o país, Portugal viu-se obrigado, em 2011, a pedir assistência financeira Ao FMI, UE e BCE, sendo o terceiro programa do género a que o país assistiu desde 1974.

Não era nascido aquando dos outros dois, mas pensei sinceramente que este último “bater no fundo” iria finalmente abrir um precedente positivo para o país. Talvez ingenuamente, acreditei que a sociedade no geral iria finalmente aprender que as contas do Estado têm de ser sustentáveis, e ele não serve meramente para nos servir e para nos aproveitarmos dele.

A ideia com que fico nestes últimos tempos é de que estamos novamente a voltar ao passado. Estamos mais uma vez a aplicar uma receita parecia àquela que nos levou à falência no passado. O governo, para angariar votos, enveredou por uma campanha populista e pouco responsável e, como isso não foi suficiente para ganhar nas urnas, teve de se sujeitar às exigências da extrema esquerda parlamentar e dos sindicatos a si ligados para poder formar um executivo. Daí resultam aumentos da despesa para agradar a determinados segmentos da população, à custa de todos os contribuintes, anulamento de concessões de empresas públicas que dão prejuízo a privados para agradar ao lobby dos sindicatos, e a inevitável subida de impostos que não chegarão para suportar o aumento da despesa. Mais uma vez a ideologia e o populismo sobrepõem-se à realidade.

Inclusivamente na campanha presidencial, o discurso do rigor das contas públicas e a necessidade de fomentar a sustentabilidade do Estado foi praticamente inexistente. Ainda não saímos definitivamente de uma crise e ao ligar a televisão, sinto que se estão a criar condições para haver outra (que será na verdade uma recaída). Esta tem sido pelo menos a perceção que tenho tido da parte mais visível da sociedade: partidos, políticos, sindicatos e imprensa.

Resta-me esperar que a maioria silenciosa do eleitorado português tenha no entanto aprendido com o passado, não compactuando com a receita danosa que obriga a inevitáveis períodos de ajustamento e que quando for chamado a intervir, castigue devidamente quem aparenta estar sempre disponível para servir os seus interesses à custa da sustentabilidade e prosperidade do país.

Alexandre Ponte

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