Chamem tudo ao Passos!

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s políticos estão permanentemente a ser mimados, são enxovalhados todos os dias, os seus comportamentos são rotulados porque sim e porque não e, por vezes, nem as suas mães escapam. E a verdade é que grande parte dos dirigentes políticos que tivemos à frente do país nos últimos 40 anos contribuíram em grande medida para este estado de alma. Todavia, como quase sempre, leva por tabela o justo e o pecador, já que a sociedade imbuída nesta onda anti-políticos cai no exagero e chama tudo a todos. O Passos é o primeiro contemplado com tamanho cardápio de “mimos” e de interpretações pejorativas daquilo que faz e daquilo que não faz. Podem chamar-lhe tudo, menos eleitoralista!

Se em tempos ficou célebre a sua frase “que se lixem as eleições”, que foi muito mal recebida por todos, não há dúvidas que é mesmo isso que ele pensa: que se lixem as políticas eleitoralistas, que se lixe a demagogia, que se lixe o não olhar a meios para ludibriar os portugueses e dessa forma vencer eleições! Porque o que importa é governar de acordo com aquilo que se entende ser o melhor para o país e para os portugueses, sem medidas populistas e, sempre que necessário, com medidas duras e impopulares.

Se dúvidas existissem deste pensamento de Passos Coelho e por arrasto do governo (uns de forma mais convicta, outros à força), este Orçamento do Estado veio confirmá-lo. Depois de 3 anos severíssimos, em que a margem de manobra do governo cingiu-se ao fazer os possíveis e impossíveis para cumprir o memorando (sob pena de cairmos numa realidade bem mais nefasta que a actual, convém relembrar!!), Passos podia-se ter embalado no canto da sereia e ter-se revelado um igual a todos os outros que por cá andaram. Mas não! Mostrou-se fiel à sua linha orientadora, e mesmo já tendo mais margem de manobre e sabendo da existência de eleições este ano, não caiu na tentação da política eleitoralista, populista e esbanjadora, que tão familiar é a Portugal.

Passos podia fazer uso do financiamento que se tem vindo a conseguir com as emissões de dívida (a juros historicamente baixos) para baixar impostos, aumentar pensões e anunciar obras. Podia ser mais um, igual a tantos outros. Mas não! Preferiu continuar na estratégia de rigor orçamental (que qualquer pessoa de bom senso percebe que é a única sustentável por muitos e bons anos) e aligeirar suavemente o que é possível, sempre com cautela e prevenção.

E não faz isto, como muitos dizem, porque já sabe que vai perder as eleições e quer levar a sua teimosia até ao fim… Este argumento é bacoco. Porque uma onda de eleitoralismo neste orçamento poderia ser a última cartada para ganhar as eleições. Porque mesmo não ganhando deixava o país ainda mais onerado, o que minava o mandato do partido que fosse para o governo. Porque é sempre melhor perder por menos do que por mais. Porque ninguém é maquiavélico ao ponto de querer o pior para o país, e pensar só numa lógica de obstinação e teimosia.

Passos pode ter cometido alguns erros, pode merecer alguns mimos e algumas críticas, mas duma coisa não o podem acusar, de governar a pensar nas eleições, de eleitoralismo!

João Santos

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