Carta aberta aos fiéis apoiantes de Sócrates

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aríssimos, eu sei que custa, que vos dói, que lá no fundo a vossa esperança de ver o Costa assumir um “barco” onde possa dar um “cheirinho” a Sócrates começa a esfumar-se e isso vos deixa com um estado mental semelhante ao de Clara Ferreira Alves… mas para vosso bem e para o bem dos que vos rodeiam, não acham que está na altura de aceitar a realidade e pararem com esse suicídio intelectual a que deram início no sábado à noite?

Olhemos com calma para as coisas: não parece lógico que responder a um caso de corrupção, branqueamento de capitais e fuga agravada ao fisco de um ex-Primeiro Ministro (não é o sr. Zé da loja de ceroulas) com um fervoroso ataque aos princípios éticos dos profissionais que cobrem esse mesmo escândalo, pode dar a ideia de que “houve alguém que não tomou os comprimidos”? Pois… Parece evidente para qualquer pessoa com 2 dedinhos de testa que esta situação, única na história do nosso país, confere em si uma atracção mediática coincidente com a dimensão do caso e da pessoa em causa.

Mas para os senhores não. Para os senhores a verdade e os factos, continuam a não ser verdade e a não serem factos. É a negação no seu estado mais puro e a estupidificação humana no auge do seu potencial. Olhar para este caso e retirar dele a conclusão, que o mal disto tudo está na violação do segredo de justiça e na condenação mediática de um tipo sobre o qual a dúvida só se prendia com o facto de vir ou não a ser algum dia apanhado – sim, porque não nos esqueçamos que estamos a falar de alguém que é recordista no envolvimento em casos polémicos como o FreePort, a compra da TVI, a licenciatura ao Domingo… e que vivia claramente muito acima dos rendimentos que aferia – é no mínimo inconsistente e profundamente deprimente. É não querer ver o “elefante azul no meio da sala”.

A tese da “cabala” essa, com Sócrates, já tem cabelos brancos. É a sua justificação de sempre e é agora a vossa justificação – qual bom filho. Parece que o homem é que atrai problemas, mas que não tem nada a ver com eles. É a perseguição consciente a alguém que só fez bem a Portugal, por quem todos temos inveja e que nos deixou pergaminhos tão valorosos para futuro – infelizmente em forma de dívida (sensivelmente o dobro da que tínhamos quando ele chegou). Parece estranho que tanta coisa lhe esteja ligada sem que ele tenha culpa nenhuma. Temos todos a certeza que os 20 milhões (em contas no estrangeiro) foram “plantados”, que o prédio em nome da mãe foi dado por um tio rico, que o facto de não ter rendimentos não o podia impedir de ter a mais luxuosa das vidas em Paris… que coisa não é? Tanta perseguição e porquê? Para quê? Coitadinho.

Depois vem aquela parte em que os amigos já não conseguem disfarçar o incómodo. Aquela em que começam a “perseguir” e a tentar descredibilizar os órgãos de comunicação da mesma forma que os acusam de fazer com o vosso adorado Sócrates. E vale tudo. É a peça sobre o almoço que passa a ser o maior “escândalo nacional”!! Com direito a recorte e partilha, acompanhada de grandes dissertações acerca do tipo de jornalismo. É o ataque à jornalista Felícia Cabrita que (malfadada) até tem o desplante de apresentar documentos que comprovam o que está a dizer e que prejudicam a imagem do mestre. São os Jornais que passam 3horas a dizer o mesmo como se não houvesse Casa dos Segredos para ver. Para nem falar das “postas de pescada” sobre legalidade e justificações de prisão preventiva que algumas “Claras Alves” vão atirando. É, enfim, tudo o que vier à mão para mostrar o quanto esta malta está a montar um esquema para dar cabo do Sócrates que é, afinal e como todos sabemos, uma vítima.

Meus senhores, o assunto é claro e deixem-me ser muito sincero: não vale a pena. A justiça se encarregará de vos confirmar o que se recusam a ver. Mas fiquem também cientes de que se vai tornando claro, para aqueles que ainda vos iam dando alguma atenção, o tipo de convicção que vos vai guiando na actuação. É que todos nos lembramos das vossas exaltações (e bem) contra a corrupção. Todos nos lembramos das vossas extensas e continuadas dissertações sobre o mal que os políticos têm feito e das generalizações múltiplas que lhes foram atribuindo. Todos nos lembramos de vos ver pedir as cabeças dos Salgados, dos Duartes Limas e dos Loureiros desta vida. Todos nos recordamos das várias inflamações contra a vergonha na actuação política… e agora que a vergonha é descoberta? O problema é ter sido descoberta? O problema é ter quebrado do “vosso lado”? É ter quebrado no “tipo que eu gosto”, no “meu preferido”? Então e as críticas às clientelas e aos boys? Ao “roubar o dinheiro das pessoas”?

Toda a gente vê, percebe e entende… não é sério o que vão dizendo, é menos sério ainda o quanto vão fazendo para tentar justificar o injustificável. Shame on you!

Pedro Brilhante

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