Avé Joaquim

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]

o dia em que na Assembleia da República se discutia mais uma moção de censura ao Governo (motivada pelos menos de 13% de um partido numas eleições com quase 70% de abstenção), a verdadeira oposição do Governo voltava a decretar mais um aumento de impostos. Em Portugal é assim, que se lixe a democracia. O Tribunal Constitucional imbuído de poder divino, manda. Não interessa quem ganhou as eleições, nem interessa o interesse dos portugueses, interessa apenas e só a opinião dos deuses que habitam no Palácio Ratton.

E desta vez foram bastante claros, que se lixe também a Constituição, que têm por missão defender. Mais importante do que o outrora sacrossanto texto constitucional, é a opinião destes seres divinos. E a sua opinião é que qualquer aumento de impostos é preferível a cortes na despesa. A subida do IVA, mesmo para quem ganhe o salário mínimo, é mais justa do que o corte nas pensões de sobrevivência acima de 2000€.

Qualquer medida que afecte os funcionários públicos será inconstitucional também. O que é preciso é penalizar o privado, esses malandros que ainda ousam contribuir para pagar os salários do TC. Porque como é óbvio o sector privado ainda não pagou a crise. Aliás, como todos sabemos, o desemprego e a perda de rendimentos dos portugueses deve-se sobretudo ao sector público.

Eu até costumava defender a revisão Constitucional, mas deixem lá isso. Afinal, não importa o que diz a Constituição. Apenas importa seguir a ideologia do Palácio Ratton. Se os portugueses aguentam? Aguentam, aguentam… Até quando?

Nuno Carrasqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *