As múmias nem a mofo cheiram

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á vários tipos de odores, uns mais agradáveis, outros mais indigestos, há uns que transmitem que a “coisa” cheira a novo e outros que reflectem eternização da dita, o que comummente se considera “cheirar a mofo”. Mas como em quase tudo na vida, o que o é pode-o ser mais ou menos, com maior ou menor intensidade, ou ao invés, pode simplesmente não o ser, e isso na temática abordada é o que se chama de inodoro. Isso mesmo, já nem cheira!

Se o PSD cheira a mofo, o PS cheira a múmias, ou seja, já não cheira a nada, porque pelo que suponho saber as múmias não libertam odores, só assombrações.

Se há coisa de que o povo lusa se queixa (e com razão) é da perpetuação dos políticos nos lugares de decisão, de serem os mesmos a mandar “nisto” há 40 anos, de não darem o lugar às gerações mais novas… É essa uma denúncia pertinente. Claro, que quando surgem novas personagens no cenário político e entra sangue novo, estes caloiros são logo acusados de inexperiência, falta de preparação, falta de experiência de vida, juventude a mais, entre outros mimos. Preso por ter cão, preso por não ter.

Passos Coelho foi o líder partidário que até hoje mais contribuiu para a renovação dos quadros políticos, para o rejuvenescimento da política e para a entrada de novos (não só em idade, mas em experiência política) agentes na política. Em 2011 renovou mais de 70% da lista de deputados, não integrou nas listas Presidentes de Câmara e exigiu caras novas nos lugares de topo do parlamento, veja-se Fernando Nobre, Assunção Estes, e o próprio líder parlamentar Luís Montenegro. No governo levou ainda esta pretensão mais à risca e convidou Vitor Bento, Nuno Crato, Paulo Macedo, Álvaro Santos Pereira, Poiares Maduro, Maria Luís Albuquerque, Moreira da Silva para ministros, uns sem nenhuma experiência política e, outros com alguma vida partidária, mas sem experiência no exercício de cargos públicos. Foram sem dúvida, caras novas! Não esquecendo os inúmeros Secretários de Estado nas mesmas condições. E a recente escolha de Carlos Moedas para Comissário Europeu, que apesar da passagem por este governo, não se insere no “status quo” tradicional da política portuguesa.

Se nestes 3 anos caminhamos no bom sentido, indo ao encontro daquela que é a vontade da sociedade portuguesa de renovação da classe política, e falo no plural, porque o PS de Seguro também contribuiu para isso, este PS vem deitar tudo por terra. O António Costa é uma criação política da escola de Mário Soares, Manuel Alegre, António Guterres e, mais perigoso, José Sócrates. É da escola que resolve todos os problemas com mais endividamento e mais conversa fiada, a receita que nos conduziu até aqui.

Costa não teve qualquer escrúpulo em ressuscitar nesta campanha interna todos os boys de José Sócrates…Foi Mário Lino, Santos Silva, Silva Pereira, Paulo Campos, José Lelo, Jorge Coelho e tantos outros por esse país fora… Ex-governantes, ex-directores de serviços públicos nomeados por Sócrates que concorrem às Federações do PS de norte a sul, em troca de um convite para o suposto governo liderado por Costa. É só ver quem rodeia Costa e ir consultar o seu currículo/cadastro. E, a cereja no topo do bolo é o convite a Ferro Rodrigues para liderar o grupo parlamentar! Quando se pensava que figuras como esta iriam acabar a sua carreira política na última fila da Assembleia, eis que ressuscitam, por obra e graça do espírito santo, não das suas obras! É “disto”, destas pessoas, destas caras, deste modo de fazer política, destes interesses instalados que não precisamos!

João Santos

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