As europeias são as eleições mais importantes para o nosso dia-a-dia

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m 2015 temos eleições legislativas e em 2016 eleições presidenciais, porém todos temos noção que independentemente dos resultados, o dia-a-dia de todos nós em pouco ou nada mudará. Já todos percebemos que esta reforma do Estado, este caminho de consolidação das contas e reestruturação das funções do Estado é para seguir por muitos anos, por muitas promessas em sentido oposto que agora possam ser feitas. Todavia, estas eleições europeias podem mudar em muito o nosso dia-a-dia, podem até mudar muito do mundo que hoje conhecemos, da Europa que temos…

Estas eleições europeias decidirão à cabeça, que partido de dimensão europeia as vencerá, o PPE ou o PSE, sendo que qualquer que seja o resultado as mudanças ou as diferenças não serão de grande profundidade. Mas já percebemos que nenhum destes grandes partidos irá vencer com maioria absoluta, aliás ficarão praticamente empatados, o que exige um acordo parlamentar que garanta essa maioria. Aqui começa a primeira decisão que poderá influenciar decisivamente os próximos 5 anos de políticas europeias: ou estes dois partidos fazem um acordo parlamentar entre si, o que poderá significar pouca actividade no próximo mandato, por dificuldades de entendimento em matérias cruciais; ou o partido vencedor fará acordos com grupos parlamentares mais a direita ou mais à esquerda, mas que têm praticamente todos em comum o cepticismo em relação ao projecto europeu. E aí sim, em vez de avanços teremos recuos.

Independentemente da necessidade ou não de o partido vencedor celebrar acordos com grupos eurocépticos, que não acreditam na União Europeia, ou que discordam dos avanços por esta prosseguidos, o que já parece claro é a crescente influência que estes eurocépticos terão no próximo mandato, pelos resultados imensos que terão em vários países (nomeadamente em França em que a extrema – direita de Le Pen se prepara para ganhar as eleições). A política europeia dos próximos 5 anos será fortemente influenciada pelas extremas, a extrema direita e a extrema esquerda, o que se traduzirá num retrocesso do projecto europeu.

Esse perigoso retrocesso enfraquecerá a União Europeia, fragilizará a sua posição no Mundo, numa altura em que cá dentro (Ucrânia VS Rússia) e aqui ao lado (crescente do Islamismo no médio oriente e norte de África) o rastilho está pronto a ser accionado, e numa época em que a supremacia global dos Estados Unidos começa a ser substituída pela supremacia económica da China.

E, voltando ao primeiro parágrafo, todos temos noção do quanto as políticas europeias podem influenciar o nosso quotidiano, logo mais facilmente uma mudança da política europeia pode ter impacto no nosso dia-a-dia do que o resultado das eleições legislativas e presidenciais que teremos em 2015 e 2016. Nas próximas legislativas o que estará em causa não serão as políticas a levar a cabo (pois essas já sabemos quais são por muitos anos), mas sim a competência na execução dessas políticas (o PSD/CDS têm provas dadas no rigor com as contas, o PS tem o oposto), já as eleições europeias são uma “caixinha de surpresas”, tudo pode acontecer. Por tudo isto, votem!

João Santos

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