Apoio dos banqueiros a António Costa: breve resumo

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m toda a novela BES (que deveria dizer respeito apenas aos accionistas, mas dada a interdependência banca-Estado do nosso país, diz respeito a todos), há uma notícia que merece um destaque especial: Passos Coelho recusou ajudar Ricardo Salgado.

Esta situação, conjugada com esta mostra dois aspectos essenciais. O primeiro é o tipo de favores que os banqueiros estavam habituados a conseguir dos governantes nos últimos anos. O segundo é a diferença de postura assumida por Passos Coelho, que não se deixa influenciar por estes jogos de bastidores.

Talvez por esta postura, os banqueiros apostem em António Costa. No fundo, António Costa é o regresso dos anos áureos do socialismo e do socratismo. É o regresso ao regabofe que nos levou ao caso BPN e que permitiu situações como esta. É o regresso às grandes obras públicas, às PPP’s, aos swaps. Um regresso àquilo que nos trouxe aqui.

Claro que o endividamento do Estado interessa aos bancos, que o financiam em grande parte, cobrando depois os juros. Aliás, Ricardo Salgado chegou a defender publicamente as grandes obras públicas do Governo Sócrates. Foi isto que fomentou durante muitos anos o endividamento nacional e que só foi travado quando os banqueiros perceberam que corriam o risco de não verem o seu dinheiro de volta.

É este o legado que António Costa defende. É isto que leva os banqueiros a apoiar António Costa. É disto que Passos Coelho se distancia.

E os portugueses, é isto que querem?

Nuno Carrasqueira

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