António Costa é um “abutre” político

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e achávamos que esta semana seria para reflectir sobre os resultados das eleições Europeias, podíamos estar todos bem enganados. António Costa deu uma de abutre, não teve pejo em mostrar do que é feito (do que verdadeiramente é feito) e virou para si os holofotes mediáticos. Rondou 3 anos a presa, tentou por várias vezes o “ataque” e só quando lhe ouviu o bafejar de cansaço teve, enfim, coragem para tentar o golpe final. Percebo pouco da máquina socialista, mas algo me diz que este abutre escolheu mal o cenário para a tocaia e pode mesmo ficar refém na sua própria armadilha.

Recuemos uns anos para percebermos a história: Costa é, desde a saída de Sócrates, o homem mais apontado à sucessão na liderança no PS e aquele que maior consenso reunia nas várias alas do partido. Era mas não foi, ou melhor… não quis ser. A verdade é que António Costa sempre foi um calculista frio e a sua agenda própria sempre esteve à frente de qualquer interesse colectivo. Era obviamente mais fácil ser reeleito presidente da CML do que andar 4 anos a fazer oposição na AR. A ideia, como agora se prova, nunca foi acabar o trabalho em Lisboa ou querer o melhor para a sua cidade, esta só serviu de trampolim para manter a justificação de que continuava a ser o candidato mais óbvio (ao PS). Deixou Seguro “carregar o piano”, fê-lo passar por alguns combates de desgaste, foi dando avisos à navegação para marcar posições e legitimar uma futura posição de ruptura e quando viu que era altura… toca de apunhalar pelas costas o inSeguro líder do momento.

Olhemos agora para o momento específico em que nos encontramos: mas alguém acha que António Costa decidiu ser candidato agora? 2 dias depois de o PS vencer (mesmo que com uma vitória pífia) umas eleições? Só quem for ingénuo ou gostar muito dele (mais do que da própria dignidade). Esta posição foi programa, estudada e todas as “peças” estavam colocadas para avançar na altura certa. O timing era este e a altura era agora ou nunca – quando falta apenas 1 ano para as eleições e existe o tempo necessário para mostrar uma nova face, renovada e sem desgaste, para que se possa ainda dar a ilusão de que se está a criar uma verdadeira alternativa à governação do país.

Este é um acto calculado, frio e com agenda própria. É uma atitude egoísta de quem vê a sua própria oportunidade e não tem problema em passar por cima de quem for. É oportunista em todos os sentidos, agora que o país já não está sob ajuda externa e não tem de se comprometer com o pacto que o PS assinou e agora, depois de anos a manter (convenientemente) um líder que sabia fraco, para mais tarde o poder derrubar. É uma conduta que não traz nada de bom, nem augura melhores tempos, quer para o maior partido da oposição quer (por conseguinte) para a importância do papel da oposição para o país.

Mas o que aqui se conclui e que é verdadeiramente importante para todos é que mais uma vez o PS exibe um triste espectáculo, preocupando-se e focando-se apenas em si próprio quando o país se encontra numa fase tão importante e difícil da sua história. Mostra que as agendas pessoais dos seus líderes sempre foram mais importantes do que qualquer agenda nacional ou interesse colectivo. Mostra ao que vêm e que o estão dispostos a fazer por isso.

Mas reza a “lenda” que nem sempre, para não dizer nunca, este tipo de atitudes tão escancaradas passam despercebidas e que as pessoas sabem reconhecer quem sempre esteve presente e não se escondeu nas alturas difíceis. Acredito, por isso, que este “abutre” poderá mesmo ficar pela sua própria armadilha. Veremos…

Pedro Brilhante

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