António Costa: a anedota nacional (em taxa turística)

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ão fosse o tema tão grave e sério e poderíamos apenas estar perante um caso de clara inabilidade política e de um “cair no ridículo” profundo. António Costa passou de D. Sebastião a Holland em menos de nada e o “nada” até já pareceu muito olhando à quantidade de disparates, gafes e recuos que este já cometeu desde que é candidato a Primeiro-Ministro pelo PS. Em pouco menos de um mês o nosso Holland Costa conseguiu:

1. Criticar o Governo (logo na sua primeira intervenção pública) por vir a apresentar o orçamento muito perto da sua data limite, para logo a seguir falhar a entrega dentro do prazo legal, do seu próprio orçamento da CML;

2. Escolher Ferro Rodrigues para líder parlamentar, dando um claro sinal de mudança e com o intuito de tirar partido da sua “vivacidade”, para que este pudesse fazer um elogio público (em plena AR) ao seu eterno líder José Sócrates;

3. Passar por duas cheias sem resposta. A estratégia é: não há solução;

4. Ser antecipadamente “gozado” (por Pires de Lima) por um erro clamoroso que poderia vir a cometer e… comete-lo na mesma;

5. Mostrar que não tem alternativas e que contrariamente ao que sempre foi dizendo e pelo qual até foi criando alguma expectativa nas cabeças mais frágeis, viu no aumento de impostos (através da criação de uma Taxa – a nova Taxa Costa) a solução para os seus problemas.

E tudo isto seria cómico se por abstracção nos esquecêssemos das consequências dos actos descritos. Este senhor é presidente da maior autarquia do país e as consequências dos seus actos não se restringem às fronteiras que lhe delimitam o poder. Não estamos a falar de um qualquer To-Zé que dizia o que queria sem qualquer tipo de consequência. Decisões como esta, que taxam entradas e permanências, não prejudicam Lisboa, prejudicam o País! O aeroporto, serve só os turistas da capital?

Foram às dezenas (e reparem que já não são às centenas) os apoiantes de Costa que vieram para as redes sociais defender a sua posição e a criação da nova Taxa Costa. Ora analisemos o comportamento: não era esta malta que se insurgia inflamadamente contra toda e qualquer taxa ou imposto, fosse ela qual fosse, por já não ser possível aguentar mais ou por vir “asfixiar” o que já existia? Não era esta malta que vinha defendendo uma protecção do sector turístico, defendendo (e bem) que este era um sector em crescimento e que devia ser alvo de uma clara aposta? Não era esta malta que se batia por uma baixa de impostos nas áreas ligadas ao turismo?… Então agora já são a favor?

O argumento que usam é – deixem-me ser muito directo – revelador de uma ignorância trucidante e de uma falta noção só ao alcance de quem ainda acha que Sócrates foi dos “bons”. Quando comparamos o destino de Lisboa (do país falamos a seguir) com Barcelona, Londres, Paris… mostramos o quanto não sabemos do que estamos a falar (ignorantes de livre e espontânea vontade). Londres e Barcelona são destinos ditos maduros e consolidados, que ao longo dos anos foram aplicando medidas de atracção que lhes permite hoje ser um destino de referência com ofertas múltiplas e cobrindo uma grande variedade de procura com um grau de eficiência/satisfação enorme. Em termos académicos podemos dizer que se situam na sua fase Consolidada, o que lhes confere um número estabilizado de turistas – como demonstra o gráfico a baixo:

BUTLER

No caso de Lisboa toda a realidade é bem diferente. Lisboa é um destino da “moda” que se encontra na sua fase mais “pujante” de crescimento (desenvolvimento). Não é um destino consolidado que mantém ao longo dos anos a mesma média de entradas e dormidas. Está em expansão e para chegar à consolidação necessita de continuados incentivos e do continuar da aposta na diversificação da oferta como até aqui. A criação de uma taxa nesta altura tem o efeito reverso ao que teria num destino consolidado.

Mas no caso Português têm ainda outras implicações que são ainda mais graves por implicarem directamente o restante território. É que o aeroporto de Lisboa não é de Lisboa é do País! Está em Lisboa por estratégia (lógica). Num país tão pequeno como o nosso, não faz sentido haver tantos aeroportos espalhados pelo território como nos países das cidades identificadas em cima. Uma medida destas prejudica directamente o Turismo nas reistantes áreas que têm Lisboa como a principal entrada – Sintra é um exemplo.

António Costa mostrou que está perdido. Perdido não no sentido de vir a perder, mas na forma como já vai levando as coisas. Como é que é possível que todas as declarações importantes sejam feitas pelo vice-presidente da CML quando o Costa está ali ao lado dele, sentado e calado? Até meteu dó, ver o António Costa, calado a olhar para o seu parceiro enquanto este descalçava a bota da sua irresponsabilidade. É esta a esperança socialista para Portugal?

Pedro Brilhante

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