Antes fosse um Cozido à Portuguesa

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ortugal sempre se destacou como um país de especialidades. Não há estrangeiro que adentre as nossas fronteiras e não tente tomar posse de, pelo menos, uma das nossas incontáveis relíquias gastronómicas. Seja sardinha, caldo verde, Pastéis de Belém, a verdade é que se fosse pelo arroz de tomate do Manjar do Marquês, o mundo já era todo português.

No entanto, quando se trata de vendermos as empresas que queremos, nem com uma garrafa inteira de vinho do Porto temos sucesso. Este é o assunto desta semana: Banif.

Confesso que as notícias, porventura precipitadas, da TVI também me despertaram para a situação. O seu passado recente de tribulação remonta a 2012 aquando a injeção de 1100 milhões por parte do Estado para a recapitalização do Banif. Muitos bancos portugueses sentiram dificuldades após a imposição de alcançarem um “core tier one” próximo dos 10%, o banco madeirense não foi exceção. Na altura o banco tinha uma desvalorização acumulada de 50%, uma capitalização em bolsa pouco valeria, coube assim ao Estado arriscar.

Arriscou e foi sendo pago, como ditavam as regras. Somente a última cobrança ficou em falta; e continua, já faz um ano. Mas o Banif não é como o bacalhau raquítico do Novo Banco, deixado a secar à espera de que salgado valha mais. Este banco ainda dá uma ótima caldeirada! A verdade é que já se colocou lá de tudo, incluindo a tvi, e mesmo assim há bocas corajosas e prontas a experimentar. Apesar de recente, foi hoje avançado que haveriam 6 interessados, um sinal bastante positivo. Esperemos que o desenrolar seja positivo, caso contrário, de nada adiantarão os cêntimos a mais de aumento das pensões.

As recentes fragilidades no setor bancário têm vindo a colocar questões ao nível da eficácia dos reguladores e dos mecanismos de supervisão. Em Portugal, como é que será possível parar esta onda catastrófica? Será que o problema está na falta de rigor do sistema bancário? Serão os reguladores? Qual será o próximo banco?

Sendo instituições que provocam grandes impactos na economia, não é um tema apropriado a discutir ao longo de uma simples refeição.

João Matias

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