Ainda as eleições europeias

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om a “grande vitória” do PS nas europeias (e respectivas consequências) e a confirmação do carácter político do Tribunal Constitucional, os resultados das europeias a nível europeu (passo a redundância) têm sido de certa forma esquecidos. Mas não deixam de merecer análise.

E houve claramente dois indicadores marcantes: a abstenção e a subida dos eurocépticos e “eurofóbicos”. Ambos os indicadores nos remetem para uma mesma conclusão: os europeus não querem esta Europa. E em vez de dizermos que é “preocupante” o resultado da extrema-direita nalguns países (claro que os da extrema-esquerda, como o Syriza são perfeitamente aceitáveis), devíamos reflectir sobre eles. Antes de mais, porque considerar “preocupantes” os resultados eleitorais é mostrar, pelo menos, desrespeito pelos eleitores. Depois, porque há obviamente leituras a tirar de qualquer resultado.

E que leitura tiraram os líderes europeus destes resultados? Que é preciso mais Europa e uma Europa mais forte (e mais federalista) para resolver a descrença dos europeus no projecto europeu.

Genial! A maioria dos europeus não vota nas eleições europeias, dos que votam, grande parte vota em partidos “anti-União” (e muitos dos outros, como eu, usam o voto com um objectivo nacional) e a conclusão é que se deve reforçar a União! Reforcemos então, rumo à federação socialista.

Por cá, entre a acção cada vez mais política do TC e a intromissão cada vez maior da UE em tudo o que mexe, poderemos em breve acabar com essa coisa das eleições legislativas e seremos governados a meias por Bruxelas e pelo Palácio Ratton.

Leitura recomendada: Mas será que não ouviram? Então porque insistem em Juncker? – por José Manuel Fernandes, no Observador

Nuno Carrasqueira

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