Afinal havia alternativa

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]os últimos anos, guiados por uma política de consolidação orçamental, de credibilização do país, de cumprimento das regras, de abertura da economia e de redução da despesa do Estado, muitos de nós convenceram-se que não havia alternativa a este caminho. A dupla Costa e Centeno veio provar o contrário.

Afinal havia alternativa à credibilidade. Bastaram poucos meses para que agências de rating, FMI e Comissão Europeia colocassem em causa as contas portuguesas e começassem a duvidar da capacidade do Estado para cumprir os seus compromissos. Em menos de um trimestre, a alternativa conseguiu inverter o caminho que nos quiseram impor durante 4 anos e arruinar a credibilidade internacional do país.
Havia alternativa à abertura da economia. Nesses mesmos poucos meses, já se reverteram concessões e privatizações e foram afastados muitos dos ameaçadores investidores que poderiam vir a criar emprego em Portugal. O caminho de Portugal para se tornar a Venezuela da Europa segue a bom ritmo, contrariando todos aqueles que achavam que não havia alternativa à modernização da economia do país.
Havia alternativa à redução da despesa do Estado. Mal tomou posse, o Governo da alternativa de esquerda apressou-se a repor salários na Função Pública, a aumentar as pensões mais altas e a comprometer-se com a redução do horário de trabalho na função pública. Ao contrário do que se pensava, existia margem para aumentar a despesa. Não existia nos cofres do Estado, mas existia nos bolsos dos portugueses, que podem perfeitamente ser esvaziados sempre que for preciso comprar mais uns milhares de votos na Função Pública.
Havia alternativa ao IVA na restauração na taxa máxima. A classe baixa que almoça no restaurante vê-se agora aliviada desse fardo fiscal, que foi transferido para os grandes poderosos da economia, aqueles que usam combustível para se deslocar para o trabalho.
A alternativa existe e, de resto, até já a conhecíamos. Foi esta alternativa que nos levou à bancarrota de 2011. Esteve sempre aqui tão perto à espera de voltar. E voltou, mesmo sem a termos pedido.

Nuno Carrasqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *