A Saga do Salário Mínimo em Portugal

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oje, ao acordar, fui surpreendida com uma boa notícia, a Selecção Portuguesa de Futebol subiu ao 3º lugar no ranking da FIFA deixando para trás selecções como a da Argentina e do Brasil. Esta notícia é sem dúvida um motivo de orgulho para o país mas, para mim, não é suficiente para poder ignorar a falta de sensibilidade de uns e a ignorância e a hipocrisia de outros relativamente à abertura do governo em discutir e renegociar o valor do salário mínimo nacional, actualmente em 485 euros para um valor superior.

Sou da opinião de que quando assumimos uma função devemos assumir, também, tudo o que dela advém quer seja bom ou mau e prezo a coerência nas opiniões e ideais, salvo argumentos sustentados em contrário. Há algum tempo que ouvimos barafustar contra o governo, que os salários são baixos, que o custo de vida é cada vez mais elevado, que os cortes (apesar de afectarem apenas os rendimentos mais elevados) são intoleráveis, nada disto eu vou discutir até porque, em parte, é verdade e todos sentimos isso. No entanto, prefiro uma austeridade democrática (mesmo com os seus defeitos) que uma ditadura política (se assim fosse, hoje não estariam a ler isto). Quando, finalmente, tenho conhecimento que o governo está disponível para aumentar o salário mínimo, fico contente, não só por encarar esta notícia como um bom sinal económico e de desenvolvimento do país como penso naquelas famílias que vivem, literalmente, com os 485 euros mensais e, que após pagarem as suas despesas fixas mensais, ficam com muito pouco para comer.

Se há uns tempos haviam uns e outros que defendiam o aumento do salário mínimo, porque agora não o querem? Será que a situação económica e financeira das famílias melhorou assim tanto que estas já não necessitem de um aumento e Portugal, já é um país competitivo?

Ao analisar os argumentos apresentados para esta mudança de opinião (contra o governo) só me apetece dizer “Deixem-se de política barata!”, ou é porque o governo está-se a preparar para as eleições (tendo este respondido muito bem e marcado esta discussão para depois das eleições europeias a 25 de Maio em concertação social) ou porque o salário mínimo de 500 euros já está desajustado à realidade (mas, os 485 euros não estarão mais desajustados?) – quem vai com muita sede ao pote…

Se me perguntarem se concordo com um aumento de 15 euros respondo que sim, pelo facto de estarmos a sair de um programa cautelar (com sucesso) temos que continuar a controlar as finanças para mais tarde poder voltar a renegociar o valor do salário mínimo. Ainda, se me permitem, defendo a existência de um salário mínimo “unido” à produtividade de cada trabalhador mensalmente por considerar que esta é uma forma mais equitativa de remunerar cada funcionário, adaptada à realidade do empregador e, ainda, mais motivante e competitiva.

Termino como comecei, fazendo referência ao futebol, para marcar golo tem que haver um trabalho de equipa, há passes, há fintas, há vários remates mas só é golo quando a bola entra na baliza (mesmo que não seja o melhor da época, a equipa marcou).

Susana Santos

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