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esde que se soube do acordo das esquerdas que vai sustentando o Governo, não seria de prever outra coisa que não fosse o cumprimento do princípio constitucional de “abrir caminho para uma sociedade socialista”.


Começámos pela saúde. Quando o anterior Governo reconhecia a importância das Misericórdias (que, recorde-se, têm mais de 500 anos de experiência no setor), as esquerdas decidiram cancelar a transferência de hospitais. Lembremos que eram estas que mantinham grande parte dos hospitais no nosso país, até há nacionalização no PREC. Para a esquerda, só os funcionários públicos e os políticos é que são bons gestores. Não interessa se o serviço é de qualidade, se o défice aumenta todos os anos, nada! Só interessa que tudo se mantenha na esfera do Estado. A verdade é que a esquerda não acredita nos portugueses!
Hoje, assistimos a mais um ataque ao serviço público. Desta vez são as escolas com contrato de associação. “São uns capitalistas, que querem ganhar dinheiro com os nossos impostos!”, dizem eles. Os tais capitalistas são, em muitos casos, instituições de solidariedade social. E os nossos impostos pagam a estas escolas, é verdade. Mas será que as escolas do Estado funcionam gratuitamente? E na saúde, os nossos impostos não pagam aos serviços convencionados? E a ADSE, não transfere dinheiro do Orçamento do Estado para prestadores privados?
“Os contratos foram celebrados quando não havia oferta estatal, hoje existe duplicação de oferta”. Se os contratos já existia, qual é a duplicação? As escolas já existentes ou as que o Estado decidiu abrir?
“Se querem andar no privado paguem!”. Isso mesmo. E deixamos de pagar a fatia correspondente à educação nos impostos, é isso? Ou a duplicação de oferta é grave mas a duplicação de pagamento já pode ser à vontade?
Qual é a superioridade das escolas do Estado em relação às escolas do ensino particular e cooperativo? Deve o Estado financiar quais escolas? As melhores? As que os pais preferem? Ou aquelas que empregam funcionários públicos?
O ódio que move esta gente não é um ódio contra um grupo de privilegiados do país. O ódio que os move é contra todos os que não dependam do Estado. O que os move é o ódio contra todos aqueles que são livres. Aqueles cujos votos não podem comprar com uns aumentos salariais no ano das eleições, aqueles onde a FENPROF tem dificuldade em dominar. Quem é movido pelo ódio contra os privados, é movido pelo ódio contra cada um de nós.
Portugal segue um caminho perigoso, esperemos que alguém impeça quem nos guia.

Nuno Carrasqueira