“A persistência da memória”

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 título é de um dos quadro mais famosos de Salvador Dali! Sim é exatamente esse, o quadro que tem os vários relógios flácidos e que lentamente se vão desvanecendo na tela, transmitindo uma sensação de demora, fluidez e moleza de uma forma contagiante.

Evocar esta pintura num blog essencialmente politico pode parecer descabido, mas esta pintura para mim, acaba por ser a metáfora que melhor expressa o sentimento, e a perceção que tenho do momento politico que vivemos, fugindo ao habitual léxico politico.

Desde o passado dia 26 de Novembro invadiu Portugal uma sensação de relaxamento coletivo, “repor”, “voltar atrás”, “vamos com calma”, “o estado resolve”, tornaram-se as palavras de ordem, e o sentimento de distorção e desvanecimento, relativamente ao trabalho feito também.

Tudo isto sob um panorama politico em que a maleabilidade dos relógios de Dali saí claramente envergonhada quando comparada com a maleabilidade e capacidade de adaptação às circunstancias politicas, de António Costa.

Para além disso, este governo conta ainda com uma boa ajuda da “memória coletiva” de um país, que é fugaz e que, com o passar do tempo essa memória vai ficando também ela distorcida. Já não existe, para muita gente aos dias de hoje, uma imagem clara dos erros que levaram o nosso país a um descontrolo, e aquilo que era óbvio, começa a ser uma distorção distante, que nada importa.

Francamente não me interessa falar da legitimidade do governo, da sua durabilidade ou até mesmo das opções de circunstancia que toma.

Interessa-me muito mais realçar o facto de termos perdido o rumo, e termos cedido à flacidez das opções fáceis e ao caminho das opções politica adaptadas unicamente às circunstancias.

Fará sentido concedermos transporte gratuitos para os familiares de ferroviários, antes de serem garantidos esses mesmos transportes gratuitos a todos os estudantes no ensino obrigatório?

Fará sentido acabar, exames e avaliações, de rompante, num ano letivo em curso?

Fará sentido entrarmos num registo do “pagar a dívida é uma brincadeira de crianças”? Estando o país a pagar anualmente quase 8 mil milhões de euros de Juros. É que no meio de todo o orçamento de estado pode parecer pouco, mas para que se tenha uma noção, até 2020 são praticamente 50 milhões, basicamente o dobro dos fundos comunitários que o país receberá até essa data, e que tanta diferença fazem na nossa economia.

Mais do que a figura, ou partido que nos governa, o que me preocupa verdadeiramente é o rumo que não se vislumbra nas politicas do atual governo. Adaptação ou distorção podem ser até características boas, mas apenas aplicadas aos relógios de Dali.

Renato Guardado

militante da JSD

 

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