A Oposição já não ataca o Governo… ataca o País.

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]

a semana em que soubemos que o resultado do défice ficou abaixo do previsto (4,9%) e o PIB cresceu bem acima do esperado (+2%), vemos uma oposição sem norte, sem projecto e sem ideias, vendo na desvalorização dos mesmos, a sua janela de intervenção. Convém lembrar que os resultados se devem muito mais aos portugueses e às nossas empresas, do que ao Governo actual ou outro qualquer que por lá tenha passado. É um resultado do esforço colectivo que todos tivemos de fazer, não só no ajustamento como na adaptação a uma nova realidade. Esforçamo-nos, reinventamo-nos e ressurgimos da adversidade. Dizer mal destes resultados ou retirar-lhes a sua importância é dizer mal de todo um país e é desvalorizar todo o esforço que lhe foi imposto.

Mas perante os resultados que se apresentam e a realidade, ainda bem fresca, do nosso passado governativo é necessário que nos debrucemos sobre os factos e saibamos reflectir sobre as causas e efeitos do caminho político seguido (e a seguir). Das opções politicas a tomar para futuro e das fundações que sustentaram essa sociedade de futuro. No fundo reflectir sobre o papel e o tamanho do Estado que queremos ter e quanto estamos dispostos a pagar para o sustentar. Um tema já aqui várias vezes abordado (e muito bem) pelo Nuno Carrasqueira e que acredito ser a chave do sucesso de qualquer país que se queira com real crescimento e com igualdade de oportunidades em sociedade.

1º o passado governativo. Está visto no que deu a grande expansão do Estado (em funções e em funcionários) e a visão do Estado como catalisador/impulsionador da economia. São 3 bancas rotas em 40 anos de democracia. Um estado que engorda, que muito investe/gasta e que nada produz só dá despesa e acumula despesa. Cria riqueza momentânea e “parasitária” da sua linha de investimentos, não dando liberdade de escolha, visto que centra em si o desenvolvimento das “oportunidades de negócio” e o crédito existente que sustenta a “empreitada”. Não sendo sustentável (como o nosso não é), sugando os recursos e não fomentando uma maior liberdade de mercado (que verdadeiramente cria riqueza) acabará sempre e inevitavelmente no mesmo caminho, e lá vêm os nossos amigos da Europa dar mais uma ajudinha para equilibrar aqui as contas.

2º os resultados agora apresentados. Como disse são resultado do esforço das empresas e do muito esforço que foi pedido aos portugueses. Numa altura em que o Estado teve de deixar o papel de âncora da economia e deu espaço às empresas, estas deram a resposta e responderam positivamente. Criaram postos de trabalho e continuam a criar há vários trimestres consecutivos. Aumentaram as exportações e equilibraram a nossa balança comercial, que estava desequilibrada desde o tempo da “velha senhora”. Investiram e redireccionaram-se para outros mercados criando novas oportunidades de negócio e aumentado a possibilidade de contratações. Mostraram que atingem resultados (e resultados positivos) que nenhum Estado (seja ele qual for) conseguirá alguma vez atingir. Porque o fim de um Estado não pode ser o lucro, tem que sobretudo visar a sustentabilidade de um sistema que permita criar riqueza, gerar qualidade de vida e permitir a igualdade de oportunidades.

3º o esforço que foi pedido aos portugueses. Foi muito e demasiado, é verdade. Infelizmente continuará a ser. Mas é um esforço que se assume como proporcional à inflexibilidade da nossa Constituição. De matriz vincadamente socialista, proteccionista e que nos obriga a manter o que está, mesmo se o que está não for possível de manter. Porque é direito garantido e (portanto) tem de se continuar a garantir, mesmo que a realidade tenha mudado drasticamente. Se não se pode cortar na despesa – e sejamos sérios e honestos nesse debate, +-80% da despesa do estado traduz-se em ordenados e pensões e portanto, se falamos em cortar no estado e nas suas gorduras estamos sobretudo a falar de cortar nesta parcela altamente exagerada – tem de se aumentar a receita e a receita só se aumenta através de impostos.

Ora, a conclusão que tiro é muito simples: É preciso que o Estado emagreça e que se meta cada vez menos na nossa vida. É preciso dar espaço às empresas e aos trabalhadores liberalizando as leis de mercado. Dar liberdade às pessoas de decidirem a sua própria vida sem que o Estado se intrometa e crie obstáculos para tudo. É necessário que este se foque no básico e absolutamente fundamental como a saúde, a educação, a segurança e no seu papel de regulador e não de interveniente! Tem de garantir a igualdade de oportunidades, mas não pode impor essa mesma igualdade sem critério de esforço e de mérito. É preciso que seja sustentável e que não nos obrigue a sustenta-lo com uma tão elevada taxa de fiscal. Tem de deixar as empresas respirar e continuar a permitir que sejam estas o motor da nossa economia. Já vimos que o sabem fazer muito melhor do que alguma vez o Estado soube.

Mas para tudo isto é preciso vontade, é preciso compromisso e sobretudo é necessário compreensão para a necessidade de mudança. Temos de largar os vícios passados e deixar de olhar para o Estado como o garante de tudo para todos.

Precisamos de uma nova constituição, adaptada aos novos desafios e às novas realidades. Mas também precisamos de uma oposição séria, construtiva e que pare de olhar para o esforço dos portugueses e para os grandes resultados do nosso País, como o seu maior inimigo!

“O caminho faz-se caminhado”… tenhamos a coragem de continuar neste bom rumo.

Pedro Brilhante

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *