A Natalidade, ou a falta dela

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Natalidade tem diminuído nos últimos. Se tal continuar a acontecer, no futuro a população diminuirá, principalmente a percentagem de jovens. Estes dados poderão trazer consequências macroeconómicas avassaladoras.

Porquê?

Com um simples raciocínio chegamos à resposta: se a população diminuir, a mão de obra também diminui e com isso a riqueza gerada, para além que os impostos pagos também diminuirão. Desta forma as despesas do estado tornar-se-ão insustentáveis. Curiosamente um factor positivo com o aumento da esperança média de vida piorará esta situação.

Normalmente a diminuição da natalidade é associada à crise. Não é de todo descabido, é natural que um casal que não tenho um futuro garantido não se sinta confortável para começar uma família. Assim como o actual decrescimento da população jovem se pode atribuir em parte à grande vaga de emigração que se tem feito sentir. No entanto, não querendo subestimar a crise, entendo que a causa essencial será outra: a mudança de mentalidade.

Na geração dos nossos avós as pessoas viviam praticamente na miséria, mas era essencial para qualquer cidadão constituir família. Ainda na altura do “tempo das vacas gordas” o número de filhos começou a diminuir. A razão poderá ser o afastamento das pessoas em relação à igreja, a o desaparecimento da educação de Salazar em relação à importância da família na altura ou aumento do nível académico da população, mas a verdade é que a mentalidade dos casais jovens mudou. Hoje o desejo de ter filhos não é tão grande, mudança principalmente notada nas mulheres, e mesmo que um casal decida ter filhos, fá-lo mais tarde e dessa forma o agregado familiar nunca será muito elevado.

Uma vez mais, não quero com isto retirar responsabilidades à actual crise pela diminuição da natalidade, pois percebo que seja difícil a uma pessoa querer criar um filho para quando ele crescer ser obrigado a ir embora. Mas esta diminuição para além de uma consequência da crise será certamente também uma causa.

Os subsídios dados aos jovens pais podem ajudar, mas o desafio aqui para contrair estes números negativos será mudar a mentalidade dos jovens portugueses.

Se estes números continuarem, terei pena do governo que será obrigado a cortar a reforma e terei ainda mais pena das pessoas que trabalharam uma vida para no final não terem direito a nada, mas a verdade é estamos a ir ao encontro dessa realidade.

Mais do que uma previsão pessimista, este texto é um alerta.

Embora esteja subentendida , penso que facilmente perceberão facilmente a mensagem que quero aqui passar, por isso me despeço apenas com um bem-haja a todos vós.

David Gomes

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