A mulher – os seus méritos e as suas capacidades

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s capacidades da mulher muitas vezes não são valorizadas por motivos que se revelam insignificantes.

Ao longo dos anos têm-se verificado imensas desigualdades na sociedade portuguesa. Poderia referir-me a inúmeras, mas a que destaco é mesmo o papel da mulher na sociedade.

É verdade que ao longo dos anos muitas diferenças que existiam entre o homem e a mulher foram eliminadas. No entanto, ainda existe muita coisa que se deve continuar a fazer para se manter a igualdade entre géneros. As mulheres lutaram e conseguiram a sua independência, mas mesmo assim existem patamares que ainda não se conseguiram atingir.

Infelizmente as mulheres ainda não conseguem desempenhar na sociedade grandes cargos de administração ou de direção. Esta situação não se verifica porque as mulheres não apresentem capacidades para esses cargos. Na verdade, as mulheres são colocadas de parte destes cargos pela sua “falta de tempo”. Compreendo que para o desempenho de cargos tão importantes com estes seja necessária bastante disponibilidade, que por vezes, muitas mulheres não têm, pois para além do trabalho também são donas de casa e mães. Assim, muitas mulheres não atingem os cargos anteriormente mencionados sendo apresentado como motivo o facto de não apresentarem disponibilidade total. Na verdade, o verdadeiro motivo é o caso de a mulher ser mãe ou poder vir a sê-lo no futuro, o que faz com que tenha que estar ausente do seu posto de trabalho, nomeadamente quando usufrui da licença de maternidade, quando necessita de ir com os filhos ao médico ou mesmo para reuniões na escola.

Na minha opinião, as razões apresentadas não deveriam ser fator impeditivo de as mulheres progredirem na sua carreira profissional e começarem a desempenhar funções que até agora muito pouco desempenhadas por mulheres. Na verdade, as três razões invocadas não me parecem motivos impeditivos para que tal situação não aconteça. No caso da licença de maternidade, esta pode ser partilhada entre a mulher e o homem, a lei permite que a mulher vá trabalhar e que o homem fique em casa com o bebé, acontecendo o mesmo nas idas ao médico e mesmo às reuniões na escola. Mas o que infelizmente acontece é que os homens não estão dispostos a abdicar das suas carreiras profissionais para se dedicarem à vida pessoal, o que acaba por prejudicar a mulher.

Penso que se fossem dadas mais algumas oportunidades às mulheres, estas poderiam desempenhar cargos de direção e administração. Assim, não seria necessário estas abdicarem da sua vida pessoal em detrimento da profissional, o que infelizmente ainda muito se verifica. Sinceramente penso que as mentalidades já estão a mudar e que daqui a pouco tempo a situação seja invertida e as mulheres sejam recompensadas pelo seu trabalho, isto é, a mulher começará a desempenhar cargos de administração e de gestão.

Ivone Pascoal

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