A inequívoca insustentabilidade da nossa dívida

[dropcap size=”500%”]A[/dropcap]o fazer parte de uma Comunidade Paraestadual de natureza Supra Nacional que é a União Europeia, Portugal comprometeu-se no Tratado de Maastricht em 1992 a fixar o teto máximo da dívida pública portuguesa em 60%, e 3% do PIB para o deficit do Orçamento do Estado. Desde 1996, data da efetivação do controle dos parâmetros macroeconómicos dos Estados-Membros europeus por parte da Comissão, que os portugueses viram a sua dívida aumentar de 58,3% em ‘95 para 129% em 2015 e o seu deficit orçamental irá ser o pior da zona euro em 2021, segundo uma previsão do Fundo Monetário Internacional em outubro passado.

O Pai da Democracia, o qual nos deixou no início do ano e prematuramente, confirmou no Mosteiro dos Jerónimos (monumento ímpar na nossa capital e que nunca nos irá deixar de esquecer que um dia dividimos o Mundo com a nossa Irmã Espanha) a nossa entrada na então Comunidade Económica Europeia. Juntamente com a nuestra hermana, comprometemo-nos para com os 6 Estados-fundadores e os restantes 4 membros, em ser um Estado de Direito pleno e respeitar as políticas Comunitárias, económicas e políticas.

Consequentemente, recebemos fundos comunitários destinados ao desenvolvimento de Portugal. Ao desenvolvimento ferroviário, rodoviário, portuário e aéreo; ao desenvolvimento educacional, tecnológico e científico; ao desenvolvimento de Infraestruturas e Obras Públicas…. Podia continuar o dia todo nisto, mas a minha época de exames ainda não acabou. Concluo com uma questão aos leitores: se aproveitamos bem a nossa entrada na União?

Não é à toa que em 1965, Charles de Gaulle decide deixar de comparecer às reuniões do Conselho. Gaulle era convicto nos seus ideais acerca da “integração europeia”, e contra tudo e contra todos, despoletou a chamada “Crise da Cadeira Vazia”. Portanto, deixo-vos aqui uma nota para refletirem acerca do quão importante é a História e a Economia: aprendamos com os erros do Passado, para enfrentarmos os problemas do Futuro.

Guilherme Neto

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