A ignorância na sua forma “consciente” – por simples oposição

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a política existem muitos tipos de oposição. A que mais aprecio é aquela que propõe, aquela que nos “obriga” a concordar, que se assume contrapondo, mas que mostra liderança e promove a confiança, não em nós mas nos que em todos nós votam. Uma oposição inteligente, que trabalha e que sabe do que fala, quando quer falar de maneira diferente. Gosto dos que mostram ser melhores e elevam a fasquia. Não gosto daqueles que praticam a ignorância, para que no meio da ignorância lá se possam destacar um pouco, enganando mais alguns e fazendo apenas o sinal do contra (contra tudo o que daquele lado vier). É pouco inteligente (e os resultados mostram-no) … mas enfim… é o que (maioritariamente) temos por cá.

Sendo que a minha opinião pode ser sempre considerada tendenciosa (até porque sempre me assumi como da JSD e do PSD), parece-me que se vai tornando, por de mais evidente, que a nossa maior oposição já perdeu o norte, não tem vergonha de mostrar que a política que faz é (apenas e só) contra nós, e que na verdade a alternativa que apresentam se resume a uma palavra: nenhuma! Mas se discordam, porque não dizem com o que concordariam? Ou o que fariam se aqui estivessem? Sem rodeios… é assim tão difícil?

Na passada sexta-feira, em plena Assembleia Municipal, assistimos a um debate com vários pontos de interesse para a vida dos pombalenses: discutia-se a política de impostos municipais, nomeadamente IMI e derrama. Também aqui ficaram escancaradas as diferenças que separam a (maior) oposição de quem governa. Mas também se evidenciou outro factor, talvez ainda mais surpreendente, a diferença entre as (agora) várias oposições. Por um lado tivemos um CDS e um PCP que, mesmo tendo sentidos de voto diferentes, fizeram a sua oposição baseada em argumentos válidos, com conhecimento e tentando ver as suas preocupações esclarecidas (e não o levantar de suspeitas). Mesmo não concordando, como é evidente, com a opinião do meu colega deputado comunista ou dos meus colegas do centro, sou obrigado a reconhecer-lhes a elevação e o contributo que trouxeram ao debate. Foram honestos na crítica e isso só pode ser visto com bons olhos.

Mas olhando ao PS vemos um caso totalmente diferente e (infelizmente) recorrente. Não é que os deputados do PS foram para o debate sem saber que a receita do IMI rústico fica para as Juntas de Freguesia e que os mais desfavorecidos, aqueles que menos ganham, estão isentos, por lei, do pagamento da taxa de IMI? Como podem ir para um debate sobre um tão importante tema sem o conhecerem? Sem estarem preparados para o debater? Baseando a sua argumentação nestes dois pontos (que referi) e mesmo depois de perceberem que eram “mentirosos”, manterem o sentido de voto e (pior) mantendo mesmo assim a argumentação? Como querem ser levados a sério? Ou melhor… quando é que passam a levar a sério a sua própria actuação política? Talvez seja só eu, mas não dá para entender.

Como não dá para entender que tenha sido a JSD a única juventude partidária a intervir no debate, estando a JS também representada e sendo o assunto tão importante para o futuro da juventude pombalense. O que se discutia era a possibilidade de dar outras condições ao mercado de arrendamento em Pombal e dar mais condições aos senhorios, da zona Histórica da cidade, para reabilitarem os seus imóveis e os colocarem no mercado de arrendamento, tornando-o mais competitivo e possibilitando um preço mais acessível. Situação que vai ao encontro da, já muito falada, preocupação que a JSD tem tido com o arrendamento jovem em Pombal e com a possibilidade de aqui se poder constituir família (sendo a casa ponto fundamental para isso). E perante isto, só a JSD é que fala?

Podemos gostar ou não gostar, podemos discordar ou concordar, e isso, para mim, apenas enriquece o debate. Mas não me peçam para compreender quem fica calado para depois criticar, ou quem mente para tirar partido disso… “A política não é isto, nem tem que ser isto” «Francisco Sá Carneiro».

Pedro Brilhante

Nota: Esta crónica é publicada apenas no dia de hoje, por me encontrar fora do país nos últimos três dias e portanto, impossibilitado de aqui escrever na data prevista. Na próxima semana a crónica será lançada na data estipulada: segunda-feira.

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