A Guerra aqui ao lado e nós….

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Europa será provavelmente o melhor sítio do mundo para se viver, com as melhores democracias e onde os seus cidadãos terão um nível de vida mais elevado. Obviamente não é o paraíso, mas olhando para todos os indicadores de forma generalizada, penso não estar errado em afirmá-lo. Contudo, o seu lugar na no jogo político mundial é, podemos dizer, subalterno.

Todos constatam a actual incapacidade da U.E. caminhar para o idealizado na sua fundação no século passado, uma Europa unida, a existência de uma entidade europeia, uma Europa tendencialmente federal. Uma das áreas em que se constata a falência do projecto europeu é sem dúvida na sua política externa. Ou melhor dizendo, na total e patente falta de uma política externa comum, assertiva, capaz de fazer ver ao mundo que aqui há mais do que uma série de países que anda sempre a mudar fronteiras e em guerrilhas constantes com o seu vizinho.

Timidamente, entre as notícias da legionella, vamos tendo ecos que o acordo de cessar-fogo de Minsk está prestes a ser quebrado face às movimentações militares na Ucrânia dita pró-russa, dizendo o governo ucraniano que se preparam a todo o momento para lutar. As tensões U.E. – Rússia apanharam a Ucrânia pelo meio. Foram os cereais, o gás, os portos ou o desejo “secreto” de Putin ver regressar o CCCP? Será algo ai pelo meio, talvez.

As punições económicas aplicadas pela U.E. à Rússia devem fazer Putin rir um bocadinho, pensando que bastará pôr em cima da mesa um potencial corte ao fornecimento de gás, para por toda a U.E. a tremer, e não é ainda do frio.

Quando eclodiu o conflito na Ucrânia, a U.E. primeiro discutiu se valia a pena olhar para lá, depois precisou de mais uns tempos para marcar umas reuniões, discutir, mandar umas atoardas. Alguém viu tomadas de posição fortes e contundentes? Vimos, mas vieram ali do outro lado do Atlântico! Assim já tinha acontecido com o conflito sírio, que parece que é do outro lado do mundo, mas não, é já ali em baixo, a banhar o mediterrâneo. O que ai vimos foi o mesmo que vemos hoje, a Europa a olhar, inerte, incapaz andando a reboque.

Putin ameaça a Europa estabelecida no pós-queda do muro de Berlim, alterou as fronteiras e ameaça não parar. O jogo geopolítico mudou, a segurança europeia está ameaçada. E nós? Até agora estamos só a ver….

João Carreira

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