A Governíssima Trindade

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onge vão os tempos de purgatório em que Portugal se viu no limbo da bancarrota e da sobrevivência. Longe estão os tempos de sacrifício. Igualmente longe estão os tempos de rigor e transparência.

Ao longo de quatro anos aprendemos a correr uma maratona, uma política nem sempre concordante com a opinião de muitos, diria quase todos por vezes, mas com sentido, com princípio; acima de tudo com uma missão justificável.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

E agora iniciamos uma época de sprints. Uma ótima estratégia pelas seguintes razões:

1. Acabam com tantas coisas ao mesmo tempo que nem se sabe de metade. Acabam com o que estava mal e bem feito e ninguém faz perguntas;

2.O melhor são mesmo as perguntas que ficam por responder, tal como a diminuição dos reembolsos ao FMI. Terá sido uma boa decisão, o dinheiro que “poupam” dos reembolsos vai ser utilizado para quê? Permitirá termos maior margem de manobra para suportar o maior valor a pagar de juros? Seria o mínimo a considerar na decisão, mas não interessa, “Segue”!

3. Termino com as respostas por dar. Tenho a opinião vincada de que qualquer ficha, quer intitulada de exame ou prova de aferição, ou é levada com a mesma seriedade ou é simplesmente inútil. Mudam o nome para não pressionar os alunos e eles não se preocuparem? Posso conjeturar qualquer argumento porque além da retórica generalista, nenhuma justificação baseada em informação sólida foi apresentada, por enquanto. Não digo que prefiro o sistema antigo, nem critico porque considero mal feito; evidencio apenas as epifanias trovejantes, tal é a pressa.

Estes novos tempos começaram porque chegámos ao céu. Que distante vai aquele purgatório maldito. Agora trabalham-se menos dias, tem-se menos encargos e há mais rendimento. Estes são os tempos porque tanto rezámos: continuar num país sem dinheiro, mas termos todas as regalias. Tudo graças à Governíssima Trindade! Só essa é que nos ouviu as preces, felizmente.

Nada de santíssimos, mas absolutamente governíssimos: absolutos nas decisões, absolutos nas imposições e absolutos no desvio das responsabilizações.

No entanto acredito que muito tempo falta até ao seu apogeu. Aliás, se nas escrituras, Moisés foi um dos precedentes, hoje Costa abre os oceanos parlamentares para permitir a passagem das suas gentes.

Conseguirá o país no final passar ou afogar-se-á? Nos novos tempos perguntas já não se colocam, vamos viver o momento.

João Matias

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