A economia do país é (quase) igual à economia doméstica.

[dropcap size=”500%”]N[/dropcap]

o seguimento de um post que aqui fiz intitulado “A crise explicada a crianças”, volto a terreiro com os meus pseudo-dotes pedagógicos e ainda mais pseudo, os pseudoconhecimentos de economia. Economia não é a minha área, mas aproveitando-me da inocência de um leigo na matéria, tenho a capacidade de pensar de forma descomprometida sobre os assuntos durante uns minutos e chegar a algumas conclusões. Aconselho muito boa gente a fazê-lo também. Desta feita, aqui vai o meu ensaio sobre a economia de um país, quando este atravessa uma grave crise financeira, equiparando tal cenário à economia / finanças doméstica/s.

Nestes três anos de governo toda a vivalma identificava o maior dano colateral desta crise e do tratamento austero aplicado, a destruição da economia. A destruição directa resultante das medidas de austeridade, e a inércia do governo ao não aplicar medidas impulsionadoras do pouco que restou da economia. Pôr a economia a mexer é fácil, é só abrir os cordões à bolsa! A receita que qualquer governante gosta de aplicar. E quando não há dinheiro?

Vejamos o cenário doméstico. Uma família híper-endividada, que todos os meses precisa de contrair mais uns empréstimos para subsistir e que chega a um ponto em que os amigos lhe dizem “ou mostram que querem mudar de rumo, ou nem mais um tostão…”. Esta família depara-se com uma evidência: tem de reduzir o ritmo de endividamento, já que não o pode fazer de um mês para o outro, tem de fazer um plano a médio prazo, mas para isso precisa de começar logo a cortar e a criar liquidez.

Cortam nas deslocações, nos carros, na casa e até na alimentação. Apesar de todos os esforços não têm alternativa a continuar a endividar-se, só que em vez de pedirem 500€/mês, já só pedem 450€. A dívida continua a aumentar, mas está a desacelerar! Porém isto não chega, têm de se esforçar mais, depender menos do crédito e, para isso, precisam de fazer dinheiro. Começam por vender as jóias e os quadros que têm, mas é pouco… Têm um negócio que até é rentável, uma sapataria, que tem muito potencial de crescimento, mas precisa de investimento. 1ª decisão não investem, a prioridade agora é por as contas em ordem. 2ª decisão, apesar de ser rentável implica muitos custos fixos mensais, logo decidem diminuir o volume de negócios, mudam de instalações, baixam ordenados e despedem funcionários (um deles até lhes emprestava dinheiro!!). Resumindo, reduziram as despesas fixas, mas sacrificaram parte da fonte de rendimento e até deixaram de poder contar com um financiador (o empregado despedido).

Isto parece de doidos. A família viu as receitas da sua sapataria a diminuírem, mas conseguiu criar uma maior liquidez com os cortes e as diminuições de despesa feitas, começou a reduzir o ritmo de endividamento. Passado uns anos voltou a ter a confiança dos credores, os mesmos que lhe emprestaram dinheiro para criar uma marca própria de sapatos. Mas só o conseguiu porque à data quase matou o negócio da sapataria (a prioridade era financeira e não económica!), se tivesse mantido ou aumentado o negócio tinha entrado em imediata falência, e os danos seriam nefastos para a família e para os trabalhadores.

Pôr dinheiro na economia é muitas vezes uma boa solução, porque sabemos que dinheiro faz dinheiro, e evidentemente gera-se liquidez, o que contribui para a melhoria da vertente financeira. Porém, quando não há dinheiro é natural que a economia sofra, e para além de não crescer, até regrida. Nestas alturas a preocupação financeira tem de prevalecer sobre a preocupação económica.

João Santos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *