A cultura já tem casas que chegue…

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uando se fala de desafios do poder autárquico, as últimas eleições são tidas geralmente como um ponto de viragem em termos de prioridades políticas. Se até agora, o importante era a infra-estruturação dos concelhos e das freguesias, actualmente as prioridades passam essencialmente por dar vida às infra-estruturas criadas e adoptar estratégias para as colocar ao real serviço das pessoas.

Também em Pombal esta visão se aplica. Ao longo das últimas décadas assistimos a um desenvolvimento notável das infra-estruturas do concelho, que culmina agora com as Parcerias para a Regeneração Urbana e as obras de ampliação do Centro de Saúde. Neste processo de infra-estruturação criou-se uma rede de abastecimento de água e de saneamento básico que hoje serve quase todos os pombalenses, renovaram-se as escolas primárias, renovaram-se as sedes de juntas de freguesia, renovaram-se as extensões de saúde, entre outras. E uma área que hoje quero abordar e que também foi alvo de um enorme investimento foi a cultura.

Sem dúvida alguma, Pombal tem hoje uma rede de espaços culturais invejável, que se bem aproveitada pode tornar o concelho numa referência regional. O edifício do Teatro-Cine comporta uma série de valências, desde espaços para exposições, para espectáculos musicais, teatro, conferências, tertúlias, poesia, etc. Dividido em auditório principal, mini-auditório e Café Concerto, este edifício é por si só uma referência a nível cultural e com um leque de potencialidades enorme, algumas já exploradas, outras ainda por explorar.

A biblioteca e auditório municipal são mais dois espaços notáveis, com um conjunto de valências complementar ao do Teatro-Cine e que têm sido exemplarmente dirigidos pelo Dr. Élio Coimbra, um dos excelentes recursos humanos do município na área cultural. Mas também estes espaços estão sub-aproveitados, principalmente o auditório municipal.

Contamos ainda com dois museus e o arquivo municipal, infra-estruturas de grande potencial e com excelentes recursos humanos, de onde se destaca o Dr. Nelson Pedrosa.

O Celeiro do Marquês/Centro Cultural de Pombal é a cereja no topo do bolo, complementando todos os outros espaços e assumindo-se como o mais multifacetado. Neste espaço é possível realizar exposições, tertúlias, conferências, espectáculos musicais variados (mesmo nalguns estilos musicais que não se adaptam aos auditórios), podendo ainda servir de sala de ensaios para bandas de garagem.

O desafio das infra-estruturas é nesta área, um desafio claramente superado. Pombal tem excelentes infra-estruturas culturais. Mas mais do que isso, Pombal tem já os alicerces lançados para os desafios do século XXI, que são as pessoas. Já referi anteriormente alguns dos recursos humanos do Município em termos culturais, mas são apenas algumas das muitas pessoas do quadro de pessoal da Câmara Municipal de Pombal com formação e competências na área cultural. Esta é provavelmente a área em que existem mais pessoas com formação superior e com vontade de fazer coisas. Mas porque a cultura não pode nem deve começar ou acabar no poder político, Pombal tem também imensos agentes culturais, individuais ou colectivos, que devem ser parceiros estratégicos na definição de uma política cultural. Os exemplos são variadíssimos e em várias áreas, desde o Teatro Amador de Pombal, o Rancho Típico de Pombal, a Filarmónica Artística Pombalense, o Coro Municipal Marquês de Pombal e outras colectividades e individualidades que a todos nos devem orgulhar.

Pombal tem, assim, infra-estruturas e pessoas capazes de poder tornar Pombal na referência cultural que todos gostaríamos. É agora altura de conjuntamente se definir uma estratégia integrada de utilização das infra-estruturas existentes.

Nuno Carrasqueira

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