A competitividade portuguesa

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o jogo inaugural do Mundial de Futebol, a Selecção Portuguesa teve como adversário a poderosa Alemanha, actual 2ª classificada do Ranking FIFA, no qual Portugal surge no 4º lugar, atrás da Espanha (ainda 1º, mas já eliminada) e do Brasil (3º posto). O resultado e a exibição da Selecção “de todos nós” foi certamente uma desilusão para todos os portugueses, tendo em conta a competitividade futebolística que temos tido principalmente nos últimos 20 anos. A minha questão é simples: somos um povo competitivo por natureza? Ou apenas no Futebol?

A competitividade é a característica de qualquer organização em lograr cumprir a sua missão, com mais êxito que outras organizações competidoras. Se falarmos no campo desportivo, esta capacidade está direccionada para a optimização dos resultados desportivos. No contexto mundial, podemos considerar a capacidade de satisfazer as necessidades ou expectativas dos cidadãos no seu mercado, de acordo a sua missão.

Tal como o Ranking FIFA, também o IMD (International Institute for Management Development) avalia a competitividade de diversas nações. Num ranking que analisa mais de 300 critérios, assentes em 4 pilares (desempenho económico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestruturas) num total de 60 países, Portugal é 43º no Índice Geral. Querem saber em que lugar surge a Alemanha? No 6º, sendo que os EUA lideram este índice, seguidos por Suíça, Singapura, Hong Kong e Suécia. Nem tudo é mau, já que a vizinha Espanha é 39º, ultrapassámos Itália (46º), e países como Brasil, Grécia e Índia surgem atrás do nosso (estranha, esta nossa tendência de “minimizar os estragos”, comparando-nos sucessivamente com a “desgraça alheia”…)

Após uma breve análise aos Rankings, e no que diz respeito aos 4 itens, o Desempenho Económico (Portugal é 54º em 60 países) é aquele que mais nos deve preocupar: elevadas taxas de desemprego, essencialmente nos jovens; fraco crescimento real do PIB; economia doméstica que apenas tende a ser positiva pelas receitas do turismo e pelo acessível custo de vida que temos em Portugal.

Na Eficiência Governamental (certamente que os críticos e apoiantes da “oposição” consideram que somos péssimos), mas ainda assim registamos melhorias face a anos anteriores: nas Finanças Públicas, nas Políticas Fiscais, e com destaque para a legislação empresarial. Reforço que somos dos países com melhor índice no que respeita à facilidade de agilizar a criação de uma empresa, promovendo o empreendedorismo. No entanto, nem tudo “são rosas” (ou precisamente por termos sido “rosa”…) a dívida geral do Estado é assustadora, bem como o sistema de Justiça e o rating do Crédito do País.

Já na Eficiência Empresarial (somos 52º), face a 2013 piorámos na produtividade e eficiência, directamente associado ao facto de sermos dos piores países nos índices de formação dos trabalhadores, horas de trabalho e prática de gestão. Pontos positivos? Não sei se o posso considerar positivo, mas a remuneração dos gestores empresariais é considerada como tal.

A nível das Infraestruturas, pessoalmente sem surpresa, é o nosso melhor indicador, surgindo em 29º lugar. Grande destaque para a Educação, sendo Portugal o 1º do índice Rácio aluno/professor no ensino secundário, e 8º no mesmo Rácio relativo ao ensino primário; os gastos públicos totais por cada aluno, bem como as despesas de Saúde são também marcadores positivos, embora possamos daqui recolher diferentes interpretações.

Sugiro que analisem o Ranking da IMD (imd.org/wcc/news-wcy-ranking/) e retirem as vossas ilações sobre estes índices. Conseguirão encontrar resposta directa à questão que coloquei inicialmente? Talvez não… Até porque a resposta está em cada cidadão português. Se num País de 10 milhões, conseguimos elevar a competitividade desportiva a um patamar de excelência (relembro o 4º lugar no Ranking FIFA e o melhor jogador de futebol da actualidade, de seu nome Cristiano Ronaldo), porque não alcançar esse patamar de excelência na Economia, Justiça ou Governação? Talvez porque… tal como no Desporto, para atingir o sucesso, é preciso trabalhar muito. Rigor, seriedade, disciplina, trabalho em equipa, capacidade de superar as adversidades e de saber sofrer. Como disse Hugo Almeida no final do jogo com a Alemanha, “o nosso povo está habituado a sofrer”. E tem razão. Tanto na austeridade, como no Futebol (sempre com a calculadora na mão). Carrega Portugal!

(Este texto não foi, propositadamente, escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico)

Celso Casinha

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