A Arte do Vilão: Check ao Empreendedorismo

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stamos em 2014: um ano que se espera difícil mas compensador (ouvimos a Mensagem de Ano Novo do nosso Presidente da República, o Professor Cavaco Silva, que nos transmitiu um sinal de Esperança). Os portugueses são criativos, são inovadores e, actualmente, a palavra EMPREENDEDORISMO está na ordem do dia. Tanto no ensino secundário como na faculdade somos, agora, formados para empreender. Porém, para mudarmos a realidade em que vivemos actualmente é imperativo mudarmos a forma como pensamos e actuamos.

Por cá, aplaude-se o “chique-espertismo” mas, cabe-nos a nós contrariar esta forma de angariar “sucesso” de modo a aumentar a credibilidade nos nossos empreendedores. Basta pensarmos nas inúmeras obras públicas adjudicadas por X mas que acabam por custar Y (superior a X). E porque não se faz nada? Porque não se premeia quem cumpre e se penaliza quem descredibiliza os audazes e empreendedores de verdade?

Os jovens portugueses, nomeadamente, os de Pombal, encontram-se hoje com o dilema de migrar ou de empreender. Aparentemente, o prato da balança em que se encontra o migrar acaba por pesar mais, ficando assim o concelho e, consequentemente, o país mais pobre. Acredito, no entanto, que se os jovens fossem apoiados numa fase inicial de um projecto estes acabariam por ficar por terras pombalinas e, aqui, criar valor. Pombal é um município com todas as condições para crescer economicamente: tem pessoas capacitadas e formadas em áreas distintas, é servido por linha ferroviária e auto-estradas e está no centro do país, por exemplo. Porque não aproveitar todas estas vantagens e apostar em nós?

A primeira vez é sempre difícil, todos sabemos. Tem-se receio que as coisas não aconteçam conforme planeado e, por isso, não se sai do armário. Mas não é o medo que nos impede de sermos felizes? Para quem não acredita, o fracasso enriquece-nos.

Um exemplo, um arquitecto pode exportar o seu trabalho. Não é necessário estar na Alemanha para criar uma obra sua lá. Estando este em Pombal (pagando os impostos cá e contribuindo para a economia local) pode perfeitamente levar a sua arte pelo mundo. Pensemos então: um jovem arquitecto não tem capital para investir e formar a sua própria empresa de arquitectura (€ para o espaço, € para a água, € para a luz, € para a comunicação, €€€€) mas tem motivação, iniciativa e criatividade. Possível solução? Arrendar um espaço de Co-Working (partilha de um espaço de trabalho e de recursos). Esta solução permitirá o jovem arquitecto iniciar a sua actividade de forma económica, angariar clientes, poupar em despesas fixas e, ainda, tem a vantagem de no mesmo espaço poder encontrar outros serviços de que necessita (de contabilidade, por exemplo), partilhar ideias, entre outros benefícios sociais.

O conceito de Co-Working nasceu nos Estados Unidos da América por Bernie Dekoven em 1999. Em Portugal, está a ter grande difusão e bastante aceitação por parte de profissionais autónomos por ser efectivamente económico. No Porto, existe um espaço deste género que reflecte bem as vantagens referidas acima: o OPO’Lab – Oporto Laboratory of Architecture and Design. Refiro este projecto por me ter conquistado logo que tive conhecimento dele, não só pelo preço (por apenas 1 €/dia é possível ter um espaço para trabalhar) mas, também pelo espírito social, pelo entusiasmo/paixão envolvente e pela oferta de recursos. Creio que este espaço se tornou uma grande mais-valia para a cidade invicta por permitir a fixação de jovens activos e que contribuem para estimular a economia. Ainda bem.

E se em Pombal existisse um estúdio deste género? E se o meu município incentivasse mais o empreendedorismo social, iriam os jovens desabrochar?

Acredito que se deva aperfeiçoar a arte do optimismo e reforçar o sistema solidário apoiando os projectos criados no município como se fossem um bem nosso.

Susana Santos

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