25 de Abril: qual o significado para a juventude?

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ostava de poder dizer o contrário, mas é evidente a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado. É cada vez mais preocupante o alheamento da juventude face à política, proporcional à notória insatisfação dos jovens portugueses com o funcionamento da democracia. Não tenho dúvidas que parte da responsabilidade deve ser dada aos partidos políticos. Mas também não duvido que se nos alhearmos e quisermos continuar a ser “ignorantes”, vamos manter o “fado” português: a queixarmo-nos constantemente, sem conhecimento de causa.

Os jovens, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pelo desconhecimento de quem foram os protagonistas e do que era viver num regime autoritário. Não podemos deixar de contrapor que, quando o 25 de Abril ocorreu, uma parcela substancial da população actual ainda não tinha ainda nascido.

Ainda há um longo caminho a percorrer naquilo que o 25 de Abril continha em termos de ambição de uma sociedade mais justa, no que exigia de maior empenhamento cívico dos cidadãos, e naquilo que implicava uma nova atitude da classe política.

Em 2006, o Presidente da República Cavaco Silva, acerca das comemorações da efeméride, defendeu que “os agentes políticos devem prestar contas do que fazem”, e que “continua convencido de que a juventude é o horizonte de qualquer comemoração do 25 de Abril verdadeiramente digna desse nome”.

Cavaco Silva disse ainda que o 25 de Abril “não é monopólio de uma geração nem de uma força política”, embora reconhecesse que não se tem conseguido mobilizar os jovens para um envolvimento mais activo e participante na vida política.

O futuro começa agora e será o que dele fizermos hoje, nas nossas vidas profissionais e pessoais, nos nossos comportamentos cívicos, nas nossas atitudes perante os outros. É essencial que nos concentremos rapidamente no presente em vez de tanto nos interrogarmos tanto sobre o futuro.

O que temos neste momento é o cidadão comum a protestar, a reclamar contra a política e os políticos, mas sem acção e sem saber onde protestar, nem a quem ir protestar, nem como participar.

De certa forma, pode parecer injusto para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes arriscando a própria vida, que a nossa geração, eventualmente responsável por manter viva a memória de Abril, persista em esquecer que a revolução foi um projecto de futuro.

Mas, sinceramente, creio que não nos vamos rever numa luta que não é nossa, e numa luta pela qual nunca lutamos.

E porquê? Não nos revemos porque não é a nossa luta. Nós nascemos em Liberdade. E ainda bem que nascemos em Liberdade e temos de agradecer aqueles que fizeram a Revolução. E prezamos a Liberdade, acredito plenamente que sim. Mas ninguém tem o direito de dizer que nós nos devíamos rever na luta-antifascista. E isso não é bom nem é mau. São as circunstâncias da vida. Nós temos outras lutas para lutar.

Pessoalmente, sinto-me grato a todos aqueles que lutaram pela Liberdade, por ter nascido numa época totalmente diferente daquela que foi regida ditatorialmente. Está na hora de lutarmos contra o “estado a que isto chegou”, que não sendo falta de Liberdade, pode ter também consequências bastante graves. Esta é a nossa “Revolução”!

(Este texto não foi, propositadamente, escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico)

Celso Casinha

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