25 de abril e o exemplo português

Quem me conhece sabe que sou mais dado a comemorações do 25 de novembro de que do 25 de abril. Escrever neste dia foi, por isso, um desafio. Mas não podia deixar de aproveitar para salientar a oportunidade que o 25 de abril deu aos portugueses para serem um exemplo para o mundo.

As revoluções socialistas seguem habitualmente um ciclo de 5 fases, bem descrito pelo Carlos Guimarães Pinto, n’”O Insurgente” há uns anos atrás:

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(Retirado daqui)

Internacionalmente, podemos analisar revoluções socialistas como a Revolução Russa de 1917, bem descrita por George Orwell em “O Triunfo dos Porcos” (ou outras traduções do original “Animal Farm”); a Revolução Cubana, levada a cabo pelos muito democráticos Che Guevara e Fidel Castro; a Revolução Bolivariana, que levou a Venezuela àquilo que temos visto.

Em Portugal, tivemos perto disso. Houve de tudo: nacionalizações em massa, mandados de captura em branco, a Reforma Agrária, saneamentos de jornalistas… Se dúvidas houvesse do quão perto estivemos de nos tornarmos num regime marxista (e, por definição, ditatorial), nunca é demais revisitar Álvaro Cunhal (clicar no nome para ler entrevista da época).

Apesar de o Portugal da altura se encaminhar para aquilo que parece ser inevitável nas revoluções socialistas, a verdade é que os portugueses não o permitiram. O 25 de abril representou, assim, a maior oportunidade para Portugal se afirmar como um país da liberdade. Da verdadeira, não daquela que tem donos.

Na verdade, o melhor que o 25 de abril nos deu, foi a oportunidade para o 25 de novembro. E ainda que muito ainda falte fazer em matéria de liberdades, não podemos deixar de nos orgulhar daquilo que somos enquanto povo, daquilo que fomos capazes de fazer perante aqueles que por todo o mundo têm levado a fome, a miséria e a morte a milhões de pessoas.

Viva a liberdade, sempre!

Nuno Carrasqueira