2017: o ano da ansiedade

[dropcap size=”500%”]É[/dropcap] com a esperança natural que preside a cada início de ano, que desejo a todos um ano de 2017 repleto de saúde, sucesso e felicidade. Como em qualquer início de ano, todos fazemos prognósticos e antecipações quanto àquilo que nos espera, seja na esfera pessoal, no âmbito profissional e claro está na política: local, nacional e internacional. E como em qualquer ano, achamos sempre que aquele é que vai ser “o ano”, vai ser diferente, especial ou surpreendente. O de 2017 vai ser o ano da ansiedade.

Começando na política internacional, a ansiedade de todos os líderes mundiais e da população mais atenta já é muita: quanto ao que será a América de Trump, as relações com a Rússia, a possível ascensão geopolítica da Rússia, o desenvolvimento do Daesh, a incerteza do Brasil, a bomba atómica da Venezuela, a sucessão em Angola, a crise dos refugiados, e claro está a União Europeia e o seu fado.

São os ingredientes mais do que necessários para fazer de 2017 um ano absolutamente imprevisível no que à política internacional respeita. São demasiados players incontroláveis e indomáveis que podem não vir a surpreender, mas que podem vir a revelar-se.

No que à política nacional, 2017, é o ano do tudo ou nada da nossa geringonça de esquerda. Se os resultados económicos do país forem satisfazendo, sem que nada de muito anormal aconteça, esta solução governativa consolida-se e a cada dia que passa torna-se mais forte. Contudo ainda pairam no ar muitas incertezas, empoladas pelos resultados preocupantes que começam a ser divulgados. Claro que a meio da maratona surge um dado determinante, as eleições autárquicas. Eleições essas para as quais o PS parte à frente, mas que como qualquer eleição é sempre uma incógnita. São também estas eleições que estão na cabeça de todos os sociais – democratas, porquanto o seu resultado pode ditar o regresso ao saudoso “saco-de-gatos”. Para muitos (que não eu) esta será a oportunidade de colocar a liderança de Passos Coelho em causa e iniciar uma nova era no maior partido de Portugal. Logo estando o governo a teste e o PSD sob vigilância, a ansiedade aumenta parte a parte.

Por fim, chegámos à política local, que neste ano parece vir a ter o “sal” que não teve durante as últimas duas décadas. Ainda nada é certo, e portanto a história aconselha-nos a ter prudência nas análises, contudo os dados estão lançados, e as probabilidades tendem a aumentar. Muita gente para além de antecipar cenários, já antecipa resultados, porém a cada dia que passa mais me convenço que tudo isto não passará de um enorme susto, que no fim das contas resultará numa grande vitória para o PSD. Neste caso a ansiedade vai-se transformar em alívio para uns e desilusão para outros (principalmente para os fãs da desgraça).

 João Antunes dos Santos

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